#DesafioREF #Dia5 – “Diabólicos Sedutors” ( “Something for Everyone”, 1970, Harold Price)

Um filme super delicioso de assistir, uma espécie de variação de “Teorema”, mais livre e que se leva menos a sério do que o trabalho de Pasolini. Michael York tem um corpo estranho e um olhar super sedutor, com sua bicicleta e shortinho vai conquistando tudo e todos. Ao avistar o castelo dos seus sonhos e livros de infância, Conrad parte destinado a fazer parte daquele mundo.

Os habitantes do castelo bavariano vão pouco a pouco se apaixonando pelo estranho que traz uma vida nova: a mãe viúva, Condessa Herthe von Ornstein (Angela Lansbury), e seus filhos Konrad  (Anthony Corlan e Jane Carr). A família decadente é salva pelo casamento arranjado de Konrad e de Annelisse (Heidelinde Weis), filha de turistas americanos novo-ricos.

O filme não poupa críticas, seja à burguesia e nobreza decadente vivendo nas ruínas de um passado e dos novos ricos apegas a memórias e aos desejos de uma fantasia;  até uma inusitada aparição do filho de um antigo coronel nazista que se apega a sua memória.  

Comentei brevemente no texto de “Amor Estranho Amor” que era a contribuição tardia brasileira a uma tradição de liberdade sexual na tela e é muito perceptível aqui. Konrad é apresentado como um homem bissexual, mas que o sexo e o desjeo não somente é totalmente livre, quanto é usado como moeda de poder. Se tem alguém em todo o filme que ele não se entrega a qualquer relação é justamente a mais nova, gordinha e chata, e parece apontar que sim, Konrad ainda que usando de seu charme, escolhe os parceiros por um desejo, mas o final surpreendente quebra essa ideia. É uma breve e súbita mudança de perspectiva, mas que é importante. Ele confessa que “tem suas preferências” para Konrad, mas é difícil ter certeza se é uma fala honesta ou interesseira, inclusive pelo destino dado a seu primeiro relacionamento no filme. 

Rubens Ewald Filho diz que Lansbury “tem pouco mais a fazer que dar longas caminhadas”, mas eu discordo. Acho ela sensacional e interessante no filme e se como REF mesmo diz, seus diálogos são memoráveis é em parte por conta de sua presença e atuação. O roteiro é sensacional e os diálogos fluem perfeitamente.

York é fascinante e tem seu melhor momento no cinema, a meu ver, superior ao de Cabaret em que faria basicamente um personagem parecido mas num mundo mais “realista”. Anthony Corlan (atualmente conhecido como Anthony Higgins), que não conseguiu uma carreira apesar do porte de galã, também está muito bem como o jovem atormentado e apaixonado por Conrad.

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#DesafioREF #Dia4- “De Punhos Cerrados” (“I pugni in tasca, 1965) de Marco Bellocchio

Um poderoso e inquietante filme sobre o papel da família na sociedade burguesa italiana dos anos 1960, mas que soa atual e poderoso ainda para a atualidade. A família isolada numa casa decrépita e a agonia de ver tantos personagens sem rumo, . 

Rubens Ewald Filho, que considerou esse filme o melhor do ano dentre os que estrearam no Brasil em 1970, fala em “família de epilépticos” e “todos doentes”, mas nem sei se isso é importante. O tema da doença em si é um tanto negligenciado, mas o filme lida com essa série de personagens que parece reconhecer um local na sociedade em que estão mais sugando do que participando e ficam felizes em ocupar tal espaço.

REF fala ainda de “choque final: brutal, humano  desesperado” e que “o espectador é literalmente violentado em sua plácida comodidade, em todas as coisas que ele acreditou serem: sagradas, intocáveis e imortais”. Talvez o tempo tenha retirado este caráter mais chocante e revolucionário do filme, o que é uma benção: fica o retrato cru e poderoso de uma família num espaço xis de tempo e espaço, mas que não pretende-se ser original: é uma história que se passa a todo tempo e a todo lugar e não à toa a parte final envolve tantos espelhos e recordações).

Curioso que REF coloca o protagonismo no irmão mais velho Augusto (Marino Masé) e parece compreender que o irmão mais novo Alessandro (Lou Castel), age daquele jeito para ajudá-lo. Eu já discordo desta interpretação. Me parece que Alessandro, em tanto que reconhecendo suas limitações e seus problemas a princípio pensa sim em livrar o irmão (como na famosa cena do passeio) de todo o sofrimento, mas depois ele resolve tomar para si o protagonismo de sua vida e percebe que ele também tem o “direito” de viver uma vida normal, longe destas pessoas neuróticas a seu lado.

É uma mudança de chave importante e um redirecionamento de interesses e perspectivas que tanto assusta quanto liberta, expondo assim as assustadoras liberdades da consciência humana. A mesma família que afaga e faz cafuné e o faz esquecer dos problemas, é aquela que causa todos os conflitos, num eterno círculo vicioso e tóxico, que Alessandro identifica e tenta resolver a seu modo.

É o filme de estreia de Marco Bellocchio, com uma interpretação poderosa de Lou Castel, também em seu primeiro filme. Eu já era fã dele em Warnung vor einer heiligen Nutte de Fassbinder e fiquei curioso para ver mais filmes com ele (especialmente um enigmático Cambio de Sexo de Vicente Aranda, de 1976). Ele por vezes parece estar num filme (contemporâneo) de Andy Warhol especialmente quando a câmera foca apenas nele com fundo preto, focalizando neste corpo todas as dores e anseios do mundo, ainda que forçando uma sensação de isolamento completo, um desligar-se não só das dores e dificuldades, mas especialmente das outras pessoas, que pode não somente ser imoral, mas mortal.

Quanto à Bellocchio, que eu conheço principalmente pelo cinema político do século XXI, já botei na listinha gigante Il diavolo in corpo, baseado no prodígio francês Raymond Radiguet.

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#DesafioREF #Dia3 – “Cria Cuervos” (1976) de Carlos Saura

Primeira obra-prima que vi neste desafio. Não conheço muito do cinema de Carlos Saura nos anos 1970, quando ele era bem “cult” (sempre tive curiosidade por “Mamãe faz 100 anos”), e não esperava um filme tão lindo quanto este. Escrito especificamente para Ana Torrent, então com 9 anos, e vinda do sucesso de “O Espírito da Colmeia”, é um filme cheio de ternura sobre uma infância difícil ainda que num ambiente aparentemente tranquilo.

Ainda sofrendo pela morte de sua mãe, Ana culpa o pai pelos momentos tristes e pela infelicidade da mãe, interpretada por Geraldine Chaplin e o envenena, passando a morar com a tia rígida e a avó solitária, que passa seus dias silenciosa numa cadeira de rodas além de suas fieis companheiras: as duas irmães (uma mais velha e uma mais nova) e a empregada doméstica Rosa que cuida da família há anos..   

É neste ambiente feminino, em que todos os homens em volta são todos militares que as seis mulheres (ou sete, com a mãe, ou oito com Ana adulta, ambas interpretadas por Chaplin). A Ana adulta é dublada por Julieta Serrano em um castelhano fluente, enquanto a mãe de Chaplin com o castelhano permado por um leve sotaque dá a sensação sempre de estar em um fora de lugar, um local que está sufocando sua própria identidade.

Não a toa, o filme é lido como um retrato perfeito dos últimos dias do franquismo, em que uma casa grande e abandonada – a tia repete sempre do estado em que ela estava -, se esconde por trás de uma pujante avenida madrilenha, com suas publicidades. É um filme que provavelmente ressoava com o Brasil e com os dois outros filmes já vistos – seja a tirania política de “A Confissão” ou a mansão isolada no meio de uma metrópole de “AMor Estranho Amor”

Acho particularmente bonito como Saura cria a personagem da tia, entre o autoritarismo e falta de amor maternal, mas ao mesmo tempo uma preocupação real no que ela acha que é o melhor para as meninas. É uma caracterização complexa, mas Monica Randall encontra o tom perfeito. Florinda Chico é outro achado como a empregada amorosa e que luta comandar a casa de forma silenciosa. 

As cenas relacionadas a memória são bem emocionantes e não a toa, o filme inicia-se com uma panorâmica por um caderno de fotos. O vai e vem da mãe de Ana é bem bonito, numa relação quase proustiana que a menina tem com os locais e objetos da casa: as cenas na piscina em especial são muito bonitas. O uso de “porque te vas”, como balada bubble gam que expressa os sentimentos tristes de Ana é perfeito, assim como a cena maravilhosa em que sua mãe toca uma música triste no  piano.

Um grande achado de Saura e da montagem foi intercalar cenas do presente com o futuro, em que Ana reflete sobre sua infância, de forma muito seca e triste. O filme funciona bem como uma desmistificação da infância e poderia entrar em qualquer mostra de filmes sobre crianças assustadoras, talvez por mostrar simplesmente que as crianças não são tão fofas quanto gostamos de imaginar – daí lembro do “Won’t you be my neighbour?”, filme incrível sobre Fred Rogers.

Como Rubens Ewald Filho aponta em seu texto, existe uma fronteira entre o real e imaginário que perpassa todo o filme, notadamente na “surpresa” do final que acaba colocando muita coisa em cheque, mas dando uma maior complexidade às imagens apresentadas anteriormente. Um filme que provavelmente ganhará muito em uma revisão. 

Esse texto é parte de um desafio de finalmente assistir, durante o mês de junho, a todos os filmes listados no “Cult-Movies do Século XX” de Rubens Ewald Filho no mês de junho. Ele inclui 101 filmes em seu livro, que foi o primeiro de cinema que comprei em dezembro de 2001 – junto com eus outros “Os cem melhores filmes do século XX” e os “100 Maiores Diretores”. Até maio eu já tinha visto 76 e resolvi me desafiar em ver esses 25 filmes que sempre me marcaram pelos títulos e informações incluídas no livro. No final do mês comento sobre os outros que já tinha visto e faço minha lista de preferidos. Foi o quarto filme visto.

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#DesafioREF #Dia2 – “A Confissão” (L’Aveu, 1970) de Costa-Gavras

Sou um grande fã de “Missing” e curto muito “Z” também mas não conheço tanto os outros filmes políticos de Costa-Gavras e foi um prazer assistir “A Confissão” (Faltam “Estado de Sítio”, “Crime no carro dormitório” e “Um homem aa mais”, dentre os clássicos). O interesse maior pelo lado político aqui foi exibir os mesmos métodos de tortura e opressão política mas do lado do regime comunista, num país do centro europeu. A referência aqui é ao caso que matou Rudolph Slanaky e acabou absolvendo Arthur London, autor do livro que originou o filme.

O início do filme é bem confuso, com as muitas referências à segunda guerra, guerra civil espanhola e luta pelo socialismo e anti-nazismo, além de evidentes disputas internas pelo poder. O que aparentava ser um complicado quebra-cabeças político, se torna um libelo contra o autoritarismo em cenas gráficas e fortes de tortura contra o político que é acusado de ter uma conexão com um espião britânico ao qual era próximo durante a Guerra.

O julgamento falso e midiático é apresentado de forma correta e interessant e as questões políticas permanecem atuais, mas o filme segue uma didática muito clara. Assim como o filme acusa o teatro apresentado pelos líderes do Partido Comunista, Costa-Gavras sabe de imediato quem interpreta qual papel neste espetáculo. Falta o humanismo neste filme, ainda que como Rubens Ewald Filho comenta em sua crítica que “A Confissão é uma reflexão sobre o sujeito e o objeto da política: o homem”.

Os atores seguram muito bem, seja Yves Montand que incorpora com precisão o peso de uma tortura física e mental nos muitos meses de prisão, e especialmente Simone Signoret, a prisão em liberdade, vivendo um dia-a-dia pesado e sem perspectivas seja para o seu futuro ou para a relação com  Ainda que o filme deixe claro que “Nesta engrenagem, o homem é a maior vítima”, falta no filme o aprofundamento seja de Gerard (Montand) enquanto tenta sobreviver na prisão ou de sua esposa Lise (Signoret) tentando readequar sua vida de esposa de um poderoso político a uma esposa de um acusado”. 

Visto em 2 de junho de 2020, em Campos dos Goytacazes

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#DesafioREF #Dia1 “Amor, estranho amor”

Adorei ter começado o desafio com o único filme brasileiro da lista e justamente um que eu tento ver desde o início da era da internet. Acho que eu até baixei ele no emule mas nunca vi. Inclusive consegui ver o filme através de uma cópia norte-americana, já que ainda existe todo o imbróglio jurídico do filme, ao qual o Rubens Ewald Filho já tinha mencionado 19 anos atrás. O crítico participou inclusive como ator da “fita” e conta detalhes de bastidores dos três dias em que participou. 

REF ainda revela que ele escreveu o texto-roteiro de um trailer/making-off estrelado por Xuxa, ao qual eu já vi em um dos arquivos de cinema no qual trabalhei. Achei bacana que Xuxa já defendeu o filme nas redes, mas é a principal responsável pelo atual bloqueio jurídico. Curioso também que Vera Fischer tenha passado imune às críticas, já que tem cenas ainda mais fortes com o garoto. É importante ressaltar que o filme é talvez uma contribuição brasileira a um tema que era recorrente nos anos 1970 no cinema em todo mundo, o início e amadurecimento sexual de crianças (em geral, garotos),  em títulos como “Ernesto”, “Um Sopro no Coração” e “Uma Criança na Multidão”.

Saindo da polêmica e indo para o filme, é um belíssimo estudo de memórias a partir da arquitetura de uma casa, no caso o bordel onde Hugo (curioso não ser Marcelo) passou alguns dias em “visita” a mãe, interpretada por Vera Fischer, amante favorita de um importante político paulista às vésperas do Golpe de 1937. É um belíssimo filme sobre o olhar a um período marcante de uma vida, uma situação-limite em que vida pessoal, romântica, sexual, política, etc se aproximam.

O caráter político serve de background, e dá um toque mais impressionante às maquinações e relações entre personagens. O filme todo é visto a partir de uma visita de Hugo antes, já um político importante agora, antes de doar a casa para um instituto cultural. As cenas em que o Hugo adulto está presente e dialoga com a sua infância são particularmente bonitas. Em seu livro, REF defende que “finalmente Khouri deixou de complicar, mas nem por isso se tornou óbvio”.

Dito tudo isso, Fischer domina completamente as cenas e é uma pena que sua carreira cinematográfica não seja mais valorizada (alô alguém aí para organizar uma Retrospectiva Vera!). Desde sua entrada em cena ao descer a grande escada, tal qual uma diva hollywoodiana, ela domina as sequências de maneira impressionante e até consegue ter uma boa química com Tarcísio Meira, tradicionalmente durão, mas que aqui está bem.

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Marriage Story (2019, USA), Noah Baumbach

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Noah Baumbach makes its own Annie Hall and precisely because this film speaks so loudly and with its own voice, let’s list the similarities first and put this out of our way: It starts with a voice-over from the male protagonist speaking about its female companion; the inspiration in Bergman; the love between a male “intellectual, writer, creator” and a female who represents the artistic “body” in the relationship which is to be shaped by the partner; it is set in NY and not only that, the film (and the main character) loves NY, especially in a direct and fierce opposition to LA; it is a film about the love between the characters, but mainly about the ending of the love, and in this regard, it is obviously about the memories that they share.

Regarding the shaping of the body by the male counterpart, it is an artistic endeavor that is seen since the Pygmaleon myth (which was used several times in the cinema, see Luiz Carlos Oliveira Junior in New Queer Cinema), but unlike Annie Hall (and several other examples from the contemporary cinema, such as A Star is Born), this is problematized here.

The film starts with the readings of letters that each one wrote about the other to be read at a therapy session for soon-to-be-divorced couples. They are accompanied by an image collage showing their married and parenting life, giving us a clue how their lives were. At the therapy session itself, it is clear that the break-up is going to be tougher than assumed and they end up not reading the letters aloud.

After a moving to LA from her part, which leads to the enlisting of a lawyer by her, culminating in a legal fight which will leave serious marks on their relationships, but also unveil several problems that were hidden in the first place. What set out to be a bittersweet film about the love that was there, but it’s now gone transforms itself into an ugly – and expensive – war, with the power to endanger and disrupt the relationship forever.

It is then, a couple of months later with all settled, at the last sequence, when he visits her, already with a new boyfriend and all, that their son learning to read finds the letter and starts to read aloud and ask for help of his father, who then reads the letter she wrote months ago and at the beginning of the film but was never read. The emotions flow on his face and his voice – and at her face, slightly out-of-focus at the background – are clear. But not only that: the spectator, also, is led to tears. If at the beginning of the film, the letters in themselves were moving and the montage was very well made, creating a great start for the film, when read at the end, we already have an emotional attachment to them. It becomes not only their memories but also our memories of everything that went through the last two hours and a reminder of how and why they were in love at the first moment – and capable of being loved as well.

The film is full of amazing little moments: be it in the category of film style, such as when their images are intertwined (photo above), or when it goes out to show the New York and Los Angeles scenario (when he’s on the phone and goes to the streets of NY among the crowd is amazing), but mostly when the actors are kind of free to move around and explore. The theater scenes are when Johannson shines the most and Driver has a star moment when he burst out a Sondheim music in the middle of the restaurant. Drama musical at its best!

Just as in a good Allen (or Bergman) film, the actings here are top-notch. Adam Driver and especially Scarlet Johannson are superb and full of emotions delivering the roller-coaster of feelings presented by Baumbach; their characters are sweet but psycho at some moments, therefore honest and multidimensional and their acting show this; Laura Dern and Alan Alda are amazing as two lawyers with different kinds of strategies but the same caring for their clients (Ray Liotta in a small part also shows a lot of strength). It is, in the end, a very humane and sentimental film, giving voice to those complex characters going through difficult times.

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67th SSIFF

I am back here to O Raio Verde to write more film reviews and more about the 67th San Sebastián International Film Festival a little. While Mateus is in Greece studying the Olimpic Games, I will be here in Spain, amazed by baque language and this Festival.

I wished I could have written more film reviews at Venice, but it didn’t happen and it’s also fine. Maybe here at San Sebastián I would write more, as I am unfortunetely not surrounded by my friends. I don’t know anyone here, well not yet.

I have already checked the festival programme and I am excited about some movies and also some Q&A’s. I definetely want to see Jayro Bustamante talking about La Llorona, maybe I watch it again.

I also want to try to watch Roberto Gavaldón movie (in Restrospective Section of the festival), especially one with Maria Félix, just to remember my first semestre at UFF and those events of Cineclube Sala Escura at Cinemateca do MAM -RJ.

So keep up with me through this whatever that is.

Sei lá, mil coisas!

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76. Venice Film Festival

So my time at Venice Film Festival came to an end. It’s a super nice venue, I really liked it. And to whom it may concern, I have some highlights movies I have watched in this 76. Venice Film Festival:

– La Llorona, Jayro Bustamante

– Hava, Miryam, Ayesha, Sahraa Karimi

– Babyteeth, Shannon Murphy

– This is not a burial, it’s a resurrection, Jeremiah Lemohang Mosese

– La muerte de un burocráta, Tomás Gutiérrez Alea

And here it’s the rest of the list with the other movies, with my personal avaluation from 1* (bad) to 5* (good).

– Revenir, Jessica Palud (***)

– Burning Cane, Philip Youmans (****)

– Mes Jours de Gloire, Antoine de Bary (***)

– Atlantis,Valentyn Vasyanovych (***)

– The Painted Bird, Václav Marhoul (**) _ I needed to leave in the middle, too much for me.

– Ensayo de un crime, Luis Buñuel (****)

– Wasp Network, Olivier Assayas (***)

– Babenco – Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou, Bárbara Paz (****) _just won the Bisato D’Oro, the best documentary.

– Moffie, Oliver Hermanus (***)

– Qiqiu, Pema Tseden (****)

– Mosul, Matthew Michael Carnahan. (****)

– Eletric Swan, Konstantina Kotzamani (****)

– Out of the Blue, Dennis Hopper (***)

That is list of the films I watched during the festival, which ends today. Unfourtunetely, I haven’t been able to see the shorts selection and many others. But I left with a feeling of wanting more. Who knows I come next year…

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Some backstage things

So I haven’t told anything yet about the festival itself. I am here for the first time with a Student Accreditation, which it’s quite good, because we (Letícia and Maja) could watch some screenings for the press and industry only.

We watched La Llorona (Jayro Bustamante), Revenir (Jessica Palud) and Burning Cane (Philip Youmans) like that. The cinemas are concentrated in a spot in Lido. The same island from Morte a Venezia from Visconti. We even went to the beach.

To be in Venice feels like to be in a movie. I have seen this city so many times in my life in so many different contexts and movies too. We need to take a boat-bus everyday to come to Lido, that reminds me the time when I lived in Niterói and needed to go to Downtown of Rio de Janeiro. Same same, but different.

For the moment, that is all. I haven’t seen George Cloney yet. But it doesn’t matter I saw the cast and crew of La Llorona and they are so cute.

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Balloon, by Pema Tseden

The second day of watching movies here. This one is a tibetean movie from the young director Pema Tseden and it’s called Qiqiu (Balloon), from the Orizzonti Program of Venice Festival.

It’s another movie in the countryside on the mountains. I think I watched till now many movies here that are not sited in the cities. This one is about a sheep farmer’s family and drama starts when the small two boys found some condoms. In a playfull way they made some ballons out of it.

It seems cleary that the introduction of these condoms disturbs the conservetive constellation of this family and their neighbours.

It’s an interesting film about how religion (tibetean budism), family tradition (typical patriarcal gender roles) and tabu (condoms). It’s a local story, but somehow very relatable with many realities around the World.

Even though the movie wants at some certain level to give to the female main character an empowerment and agency of her own body decisions (she rides a motorcycle to the local hospital, she asks for the condoms), the male characters have more saying and are more developed than the femle’s one.

Nevertheless, Qiqiu is an entertainment film worth to be watched. And the kids are just cute.

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