#DesafioREF #Dia1 “Amor, estranho amor”

Adorei ter começado o desafio com o único filme brasileiro da lista e justamente um que eu tento ver desde o início da era da internet. Acho que eu até baixei ele no emule mas nunca vi. Inclusive consegui ver o filme através de uma cópia norte-americana, já que ainda existe todo o imbróglio jurídico do filme, ao qual o Rubens Ewald Filho já tinha mencionado 19 anos atrás. O crítico participou inclusive como ator da “fita” e conta detalhes de bastidores dos três dias em que participou. 

REF ainda revela que ele escreveu o texto-roteiro de um trailer/making-off estrelado por Xuxa, ao qual eu já vi em um dos arquivos de cinema no qual trabalhei. Achei bacana que Xuxa já defendeu o filme nas redes, mas é a principal responsável pelo atual bloqueio jurídico. Curioso também que Vera Fischer tenha passado imune às críticas, já que tem cenas ainda mais fortes com o garoto. É importante ressaltar que o filme é talvez uma contribuição brasileira a um tema que era recorrente nos anos 1970 no cinema em todo mundo, o início e amadurecimento sexual de crianças (em geral, garotos),  em títulos como “Ernesto”, “Um Sopro no Coração” e “Uma Criança na Multidão”.

Saindo da polêmica e indo para o filme, é um belíssimo estudo de memórias a partir da arquitetura de uma casa, no caso o bordel onde Hugo (curioso não ser Marcelo) passou alguns dias em “visita” a mãe, interpretada por Vera Fischer, amante favorita de um importante político paulista às vésperas do Golpe de 1937. É um belíssimo filme sobre o olhar a um período marcante de uma vida, uma situação-limite em que vida pessoal, romântica, sexual, política, etc se aproximam.

O caráter político serve de background, e dá um toque mais impressionante às maquinações e relações entre personagens. O filme todo é visto a partir de uma visita de Hugo antes, já um político importante agora, antes de doar a casa para um instituto cultural. As cenas em que o Hugo adulto está presente e dialoga com a sua infância são particularmente bonitas. Em seu livro, REF defende que “finalmente Khouri deixou de complicar, mas nem por isso se tornou óbvio”.

Dito tudo isso, Fischer domina completamente as cenas e é uma pena que sua carreira cinematográfica não seja mais valorizada (alô alguém aí para organizar uma Retrospectiva Vera!). Desde sua entrada em cena ao descer a grande escada, tal qual uma diva hollywoodiana, ela domina as sequências de maneira impressionante e até consegue ter uma boa química com Tarcísio Meira, tradicionalmente durão, mas que aqui está bem.

1 Comment

Filed under Uncategorized

One response to “#DesafioREF #Dia1 “Amor, estranho amor”

  1. Júnia Matsuura

    Gente que bapho, quero ver esse filme agora!

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

Connecting to %s