Notas sobre “Personal Shopper”

Olivier Assayas parece estar apaixonado por Kirsten Stewart. Só assim para explicar como ele pode ter feito esse filme, inteiramente a propósito de criar uma personagem principal feita sob medida para a atriz de seu filme, que repete e intensifica os tiques e caretas que lhe valeram um Cesar de atriz coadjuvante por “Acima das Nuvens”. Eu não tinha gostado dela lá, mas aqui acho que faz um sentido.

Mais do que uma história sobrenatural, é uma trama de forte caráter psicológico. Talvez tenha faltado um certo cuidado e apuro maior ao transformar essa jornada de aparente loucura mental da protagonista em um estudo mais elaborado e universal. Do jeito que ficou todas as estranhezas do filme (as trocas de mensagens, os copos de vidro, etc), parecem apenas brincadeiras com o espectador.

É aí que pode estar outra chave de leitura do filme: Seria “Personal Shopper” um filme sobre o cinema? As evidências para sustentar isso estão aqui e ali: o jeito que  a câmera discretamente se afasta da cama quando Stewart começa a se masturbar; como ela “segue” o fantasma? Um travelling precisa seguir alguém narrativamente ou pode se ocupar de um espírito (das coisas? – me lembro dos travellings aparentemente sem sentido em “Cuidado com uma puta santa” de Fassbinder)?  E é notável o uso de aparelhos audiovisuais que Assayas faz uso. Qualquer coisinha que é discutida, a protagonista vai procurar no google e no youtube. Em um mundo dominado por imagens em movimento, como acreditar naquilo que não se vê?

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