Freud no cinema

Estou no meio da leitura de “Amigos Íntimos, Rivais Perigosos” de Duane Schultz. O livro trata da relação tempestuosa entre Sigmund Freud e Carl Jung, o fundador e o maior propagantista (ao menos nos primeiros anos) da psicanálise. Acabei de ler a parte que trata de uma visita dos médicos a Nova Iorque, aonde teriam visto um filme pela primeira vez, em 1909. A reação de Freud teria consistido de “discretos risos”.

 

Óbvio que o cinema naquela época era completamente outro do que temos hoje, mas penso se Freud em algum momento pensou que aquele mecanismo seria hoje o principal propagador de suas idéias um século depois. Tudo bem que a recepção às teorias freudianas alcançaram outros patamares nas últimas décadas mas é óbvio como vários conceitos criados pelo austríaco encontram grande eco na produção Hollywoodiana.

 

Talvez o fato da maioria dos filmes norte-americanos ser baseado na figura de um adolescente tentando se libertar diante das figuras paternas e maternas mas sem criar um choque diante dos dogmas da socidade.ajuda bastante. O fato é que os norte-americanos geralmente se assustam diante da franqueza de filmes europeus (e além-mar) em tratar adolescentes já livres do conforto da infância.

 

Assim, os protagonistas de filmes americanos se assemelham geralmente a pacientes dos seguidores do pai da psicanálise. Analisemos a parte final por exemplo de “Homens de Preto 3”. Mesmo depois de um filme cheio de voltas no tempo, brincadeiras com personagens históricos e muita ação, os roteiristas precisavam encaixar uma revelação que remete a infãncia do Agente J (Will Smith) e que diretamente injeta o papel paterno que o Agente K (Tommy Lee Jones/Josh Brolin) exerce sobre ele.

 

O mesmo acontece em “American Pie: O Reencontro” quando até a parte em que os protagonistas se encontram em busca de novas aventuras, o “buraco” no roteiro parece ser preenchido com uma relação entre Jim e seu pai, com o primeiro tentando ajudar o segundo a superar a perda da mãe além de pedir conselhos sobre o casamento.

 

Não sei ao certo se o filme que liderou toda essa leva de complexos edípianos no cinema foi mesmo “Beleza Americana”, que coincidentemente foi lançado poucos meses depois de “American Pie” e apesar de focar na mesma geração e contar inclusive com Mena Suvari no elenco de ambos filmes, tem uma mensagem completamente diferente, mas é um filme-marco em como lidar com personagens adolescentes no cinema norte-americano.
O que me irrita ainda é que justamente essas relações pai-mãe-filho-filha são completamente superficiais no cinema americano, servindo apenas de escada para um clímax, uma decisão “importante” ou uma ação “forte”. É uma pena não termos um cinema que trata com sutileza e realidade seus personagens, por mais que tenhamos aqui e ali bons exemplos de cinema vindo dos Estados Unidos.

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