A vitória do passado

“O VINGADOR DO FUTURO”

“Total Recall” (2012, EUA/Canadá) de Len Wiseman 3,5/10

Cada filme é sempre fruto de sua época. No primeiro «O Vingador do Futuro», o sonho de uma viagem para Marte poderia muito bem ser conectado à abertura da União Soviética, ainda governada sob mãos de ferro, mas cada vez mais recebendo visitantes. Já nessa versão mais escura de Len Wiseman (com a bomba em série «Underworld – Anjos da Noite» no currículo) é impossível não ver ali um mundo cuja ordem definitivamente mudou com a aparição de Julian Assange aos holofotes.

O vazamento dos cabos diplomáticos de 2010 pelo Wikileaks teria aberto a possibilidade de um mundo cada vez mais anárquico, no qual o indivíduo consciente passa a enxergar uma grande conspiração governamental que ameaça destruir o mundo. Nada é o que parece ser e o que a mídia e o governo nos faz acreditar. É se enxergando nessa posição de Messias do novo mundo que Douglas, personagem de Colin Farrell se encontra.

Para piorar ele ainda descobre que sua esposa, Lori (Kate Beckinsale) é uma agente federal e o casamento de sete anos não passa de uma convivência de seis semanas. Sua vida antiga de espião e um dos maiores inimigos do Estado foi apagada, mas aos poucos as lembranças e atos miméticos vão retornando.

Imagino que o fracasso nas bilheterias americanas seja a prova de algo um tanto óbvio: A ideia de um futuro depressivo e tirano já se esgotou há um tempo. A onda levantada por «1948» era típicamente pós-guerra e o clima da Guerra Fria deixou ainda um tanto acesa essa idéia, mas depois de filmes como «Matrix», que realmente levam além o projeto de luta solitária contra o sistema, parece um tanto inocente por parte de Wiseman pensar que podemos levar esse seu cinema a sério.

A quantidade de cenas de ação cansa e acaba eliminando alguns pontos positivos como a construção visual da Colônia, apesar de sinceramente não ter comprado muito aquela ideia de mundo, em que existem apenas duas megalópoles e aparentemente um único meio de transporte. Farrell prova mais uma vez ser um ator de comédia enquanto somente Kate traz vida ao filme, já que Jessica Biel é nula como interesse amoroso. O final também deixa muitas questões por sua falta de credibilidade, comprometendo ainda mais a qualidade do material.

 

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Filed under Cinema, Críticas

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