Vitória de Hollande e da união

A vitória para François Hollande chegou, mas apertada do que era o esperado. 52% dos votos, mas suficientes para dar um novo respiro à França, atrofiada pelos valores de extrema direita que vinham se mostrando cada vez mais forte na campanha de Nicolas Sarkozy. Não devemos esquecer também a posição que este président sortant teve na crise de 2005, além do aparato policial que cresceu imensamente nos últimos cinco anos.

Me perguntam sobre para quem eu torço, Nicolas Sarkozy ou François Hollande. Acredito que não seria necessário para eu analisar os projetos de governo dos dois. A posição anti-imigracionista de Sarkozy, com a promessa de corte de metade das imigrações legais é suficiente. Como estrangeiro na França, e quem sabe um futuro estudante de máster e alguém em busca de trabalho não teria como apoiar a reeleição de Sarkozy.

Mas mesmo em outros aspectos, é óbvio que a escolha de Hollande é uma questão bem mais humanista. Todos os projetos econômicos são ótimos em teoria, seja os de direita e os de esquerda, mas o difícil será por-los em prática, e tentar fazer isso com uma importância humanista. É o que Hollande propõe a França, sem preconceito, com uma tentativa de direitos de minorias para todos os franceses (de todas origens) e imigrantes, pessoas de todas religiões, raças, opções sexuais, políticas, etc.

A França do medo perdeu, assim como aquele Brasil de 2002, tão bem registrado pela declaração de Regina Duarte. Aqui a campanha foi a mesma. Os socialistas com uma vitória criariam um clima de violência, insegurança, levariam a França ao fundo do poço. Não funcionou, mas é preciso continuar com a cautela, a mesma que viu Sarkozy se aproximar durante toda a campanha do segundo turno, tirando mais de três pontos a partir de uma vitória prognóstica de 55% há duas semanas.

É preciso lembrar os 18% que Marine Le Pen, da extrema direita teve, e a pesquisa que mostrou que cerca de 30% dos franceses simpatizam com a Frente Nacional, partido da Le Pen. É preciso levar em conta os 48% dos votos de Sarkozy, o que ele próprio não fez em 2007. O país está dividido, e parece que Hollande percebe isso muito bem, ao não se aproximar da extrema esquerda de Melochon e culminou com o apoio inesperado do centrista François Bayrou na quinta-feira. Agora é partir para a comemoração na Place de la Bastille, imortalizada no cinema contemporâneo francês pelo Christophe Honoré…

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