A vida por Frank Capra

Do Mundo Nada se Leva (You Can’t Take it with you, 1938, EUA) de Frank Capra 9,5/10

Capra é conhecido por seus feel good movies, que apresentariam uma visão um tanto otimista da sociedade americana. Essa característica, que o poderia caracterizar como alguém ultrapassado, não impede a imediata relação que os filmes de Capra promovem no espectador de 2012. Seus filmes tem conotações políticas, isso é inegável. O roteiro aqui faz referência direta em “espalhar a revolução comunista” e endossa o comportamento desses personagens, nem tanto como uma solução política, mas como uma liberdade de como escolher o modo de vida que conduz todos os moradores daquela casa meio maluca.

Uma família de artistas, libertários e pessoas mais relaxadas, os Sycamore acabam entrando na vida do magnata Anthony P. Kirby (Edward Arnold), quando ele quer comprar a casa para construir uma usina que levaria a falência seu antigo amigo e atual rival, e ao mesmo tempo seu filho Tony (James Stewart) se apaixona por Alice (Jean Arthur), a mais “normal” da família. Muitas confusões acontecem neste que é um dos melhores exemplos da screwball comedy.

O roteiro é afiadíssimo e mantem um ritmo elétrico até uma barriga um tanto chata na parte final. O elenco segura e carrega o filme de uma maneira que nos sentimos já quase um membro daquela família de pessoas sempre a procura de fazer algo a fim de se sentirem bem, por mais inconsequente que possa ser e a família de James Stewart também é muito bem representada no roteiro, com a mudança de atitude do milionário Kirby sendo um tanto crível, apesar de já perceptível desde o início. O conto pode ser um tanto batido, mas produz uma enxurrada de risadas e momentos de reflexão, a partir das experiências dos Sycamore, que acabam mais do que validando o propósito do filme.

Arnold comprova ser um dos melhores atores de sua época, enquanto Arthur tem um magnetismo na tela impressionante. Mischa Auer continua sua caracterização de um russo meio maluco que o tornaria muito popular nos EUA e Spring Byington foi indicada ao Oscar de coadjvuante pela personagem mais interessante (em boa parte por conta de sua atuação), a mãe que ao receber uma máquina de escrever vira uma escritora um tanto amadora de peças, enquanto tenta manter a casa. Stewart porém, faz um personagem tímido, porém determinado e decidido a tentar melhorar a relação com o pai e comprova porque foi um dos maiores atores da história – e meu astro Hollywoodiano favorito.

Leave a comment

Filed under Cinema, Críticas

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s