Um espetáculo visual

“Espelho, Espelho Meu” (“Mirror Mirror”, 2012, EUA) de Tarsem Singh 6/10

Para dizer a verdade, Tarsem Singh não cumpre o que promete aqui: Não temos uma versão da Branca de Neve visto pelo olhar da Rainha. Ela continua malvada, e a Branca de Neve continua boazinha. Mas essa interpretação do popular conto tem uma pequena dose de ousadia e grandes acertos, no que é certamente o melhor trabalho do diretor indiano, sempre conhecido por seus visuais elaborados, mas uma falta substancial de força narrativa.

A parte visual aqui continua bela, com vários planos lindos, especialmente os exteriores, mas não dialogam com criatividade a trama do filme. O melhor exemplo é na dança indiana ao estilo Bollywood que se passa durante os créditos finais, uma ótima sacada, mas que é filmada de uma maneira tão banal que dói. Voltemos ao filme, porém, e suas qualidades.

Os diálogos são bem afiados e espertos, especialmente aqueles que saem da boca de Julia Roberts, que mostra ainda estar em grande forma. Quase desnecessário dizer que praticamente ela rouba todo o filme, especialmente nas cenas junto com Armie Hammer, que interpreta o Príncipe. Roberts sabe fazer suas melhores caras e bocas e tem um timing perfeito para as frases, criando uma rainha que apesar do roteiro a levar para uma direção de vilã inconsequente, ainda consegue ter resquícios de alguém forte e interessante, especialmente no início.

Apesar de não oferecer muito desafio para Julia, Lily Collins está competente como a Branca de Neve, criando algumas cenas interessantes, especialmente quando finalmente ela sai do palácio. O outro grande destaque são os anões, aqui totalmente revisitados e bem mais interessantes do que nas outras versões. O príncipe também vira um personagem real e toda a história se torna empolgante.

É ótimo ver também que vários dos anões finalmente possuem características próprias e personalidades autênticas, nos fazendo relacionar com eles. A relação deles com Branca de Neve é um tanto esperta, especialmente uma romântica que aparece. Todo o filme aliás é bem carismático, com um ritmo bem interessante.

Os pontos fracos, porém, nunca desaparecem. A parte final, aliás, transforma o filme em uma história meio banal, apesar de uns toques interessantes, como o uso da marionete, apesar de ser tudo meio mal realizado, como uma grande ideia em um primeiro tratamento do roteiro, mas que não foi para frente. Assim como o uso do espelho mágico, que visualmente produz cenas lindas, é um tanto falho, assim como várias cenas com Nathan Lane, uma espécie de meio braço-direito meio bobo da corte da Rainha.

O filme também acaba se perdendo entre ser um filme para toda a família e tentar ganhar asas próprias, o que causa várias ideias interessantíssimas de serem mal desenvolvidas. O que nos resta é um deleite visual, no que se destaca os últimos figurinos realizados pela mestre japonesa Eiko Ishioka, a quem o filme foi dedicado. Foi interessante, aliás, ver o filme ao lado de duas japonesas que se emocionaram ao ver o seu nome na tela.

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Filed under Cinema, Críticas

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