Clima eleitoral em Paris

Hoje foi dia de eleições aqui na França. As mais importantes em muitos anos aqui, em efeito um teste de popularidade de Nicolas Sarkzoy. Aquele candidato carismático, quase um Kennedy europeu de 2007 desapareceu no que se transformou em alguém de políticas fortemente direitistas e fortes, causando um grande racha na França, algo que não se via desde a época de Mitterand. Sua campanha, então, pior ainda, o levou a tentar se diferenciar mais ainda de um estilo centrista, apoiando causas como a “discussão de temas” como saída do Schengen, redução da imigração legal, etc. Tudo de uma maneira tipicamente eleitoral.

 

Porém, ao contrário do que geralmente acontece no Brasil, nas ruas de Paris a tranquilidade imperava. O que me fez perceber que hoje, especialmente nas grandes metrópoles, se aprende mais em casa diante da internet, televisão e rádio do que nas ruas, o que não deixa de ser uma coisa um tanto triste. Eu saí de cada por volta das 17h e fiquei na rua até as 22h. Só em um lugar eu consegui informações sobre as eleições pela rádio. Enquanto isso, se eu estivesse em casa, desde as 18h30 através de sites belgas e suíços eu já estaria a par de todos os detalhes. Nas ruas, nenhuma manifestação, o que seria normal de se esperar de todos os três principais candidatos.

 

A única multidão que eu vi foi na volta para casa, mas não era tão grande. Depois soube que ali era

a Maison de la Mutualité, local em que Sarkozy escolheu para fazer seu discurso. Talvez seja diferente no segundo turno, com a eleição definitiva do presidente, no dia 6 de maio. A princípio François Hollande tem 54% dos votos, mas tudo pode mudar. O candidato da direita em pleno desespero, sugeriu três debates sobre temas distintos, o que foi prontamente recusado por Hollande, que acusou uma mudança de regras e sugeriu um único debate sem tempo de duração.

 

Enquanto isso, nos canais de televisão, a tensão era alta. Partidários de Sarkozy atacavam a esquerda, como se defendessem um candidato de oposição. Suas ideias, todas “novas e liberais” iriam melhorar a França. Enquanto isso, os que apoiavam candidatos de esquerda atacavam os quase 20% de Marine Le Pen, acusando o governo Sarkozy de ter criado essa extrema direita, enquanto ironicamente, na internet os pró-Sarkozy passavam a culpa para Hollande e o candidato de extrema esquerda Jean-Luc Mélenchon. O fato é que a batata de Le Pen está mais quente do que nunca.

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Filed under Paris, Política

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