4 dias com Julie Delpy é mais do que suficiente…

Fui ver o “2 days in New York” há 2 semanas depois de um dia ótimo percorrendo sebos e tomando sorvetes de graça no Ben & Jerry. Uma decepção tremenda. É um filme europeu, mas obviamente destinado ao público norte-americano, no pior sentido da expressão. Não foi a toa que vários espectadores saíram, pois o filme chega ao ponto de ter piadas quase racistas com os franceses. Para entender melhor os personagens resolvi ver o primeiro filme, que tinha sido tão elogiado uns anos atrás. Foi certamente uma experiência mais gratificante… Comentários dos filmes em separado abaixo:

2 Dias em Paris (2 Days in Paris, 2007, FRA/ALE) de Julie Delpy 6/10

O filme pode ser classificado como um “Antes do Pôr-do-sol” com um tempero rabugento à la Woody Allen. Uma francesa (Julie Delpy) retorna a Paris para ver seus pais (Albert Delpy e Marie Pillet) na companhia de seu namorado americano (Adam Goldberg) após uma desastrosa passagem por Veneza.

O ritmo do filme não é nada original. Muitas piadas a custa do peixe fora d’água de Goldberg, da família excêntrica de Julie, que acaba encontrando um ex-namorado e entra nuam crise. Mas algumas cenas são muito boas, especialmente quando Delpy tenta retratar o “dia-a-dia” em Paris: A chegada de trem, as conversas (boas e maus) com taxistas.

A parte toda da família é um tanto exagerada, apesar dos bons atores (pais de Delpy na vida real) segurarem bem. Bem mais histérica é a sequencia com Daniel Bruhl, que apesar do timing cômico excelente do alemão não pertence muito bem ao filme.

O resultado final ainda é positivo, especialmente diante da simpatia do roteiro um tanto interessante e do carisma dos atores, mas nunca sai do lugar comum e definitivamente não é um filme para se guardar por muito tempo.

“2 Dias em Nova York” (“2 Days in New York”, 2011, ALE/FRA/BEL) de Julie Delpy 3/10

Tudo aqui é diferente, a começar pelo cenário: Se o filme anterior evocava quase o melhor de Paris, com suas belas ruas, a brincadeira no metrô, as festas, o lado turístico vs. o lado verdadeiramente autêntico, com tudo que existe no meio, aqui vemos o pior de Nova York. Nenhuma ambiente se sobresai, sobrando uma cidade feia e caótica. Isso não seria problema se fosse a intenção (mas não, não é) e se não contasse com outras mudanças drásticas.

O humor fino e judeu de Adam Goldberg, meio que inspirado num Woody Allen é substituido pelas piadas meio chulas de Chris Rock. A mãe de Delpy (Marie Pillet) que era uma ótima presença no primeiro filme morreu em 2009 e o pai, interpretado por Albert Delpy foi reduzido a uma caricatura grotesca de um francês, enquanto a irmã (Alexia Landeau) virou uma ninfomaníaca mais insuportável ainda, simbolizando todos os clichés possíveis e imaginários relacionados aos franceses.

A tentativa de fazer uma screwball comedy foi pro espaço com o roteiro raso e piadas cada vez mais insuportáveis culminando numa participação totalmente caótica de Vincent Gallo, no que aliás é o pior artifício do roteiro, quando Delpy ao fazer sua vernissage decide também vender sua alma, o que seria algo simplesmente bobo se não recebesse tratamento prioritário na parte final.

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Filed under Cinema, Críticas

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