Coppola brinca com o digital (e com a plateia?)

“Twixt” (“Twixt”, 2012, EUA) de Francis Ford Coppola 3/10

 

Foi uma pena o lançamento do filme na França não ter incluido as duas cenas em 3D, pois poderia ter sido uma experiência muito mais interessante. O visual é a única coisa que realmente vale a pena no filme, que se perde completamente numa história desconexa, que ao tentar fazer uma homenagem aos filmes de mistérios e horror antigos, acaba apenas se tornando um mau exemplar deles.

O filme começa interessante com uma narração absurdamente fantasmagórica feita por Tom Waits e uma colagem de cenas que representam a chegada do escritor de mistérios Hall Baltimore (Val Kilmer) numa cidadezinha perdida do interior dos EUA que está em turnê lançando seu novo livro. Lembra um tanto a atmosfera de “O Estranho”, filme de 1946 do Orson Welles, especialmente ao mostrar uma grande torre contendo vários relógios apresentando horas diferentes.

A explicação teria algum cunho demoníaco e poderia estar relacionada a um antigo massacre que ocorreu há alguns anos e um grupo de jovens, que usam preto, ouvem música estranha e se reúnem perto de um lago, realizando “rituais satânicos”. A história pessoal do escritor também entra em cena, assim como estranhas aparições em seus sonhos.

A primeira cena em sonho é incrível, com um apuro visual inacreditável. O filme aposta bastante em sua estrutura no digital e realmente abstrai imagens bem bonitas, mas que acabam ficando repetitivas e não mantêm o impacto. Parece realmente ser um filme teste do Coppola sem muita preocupação com o resultado final.

O que é uma pena visto que sua produção recente inclui a obra-prima “Velha Juventude”, de 2007 e o interessantíssimo “Tetro” de 2009. A ideia de criação cultural permeia o filme, com a presença do fantasma de Edgar Allan Poe (Ben Chaplin, em foto acima), auxiliando Hall a resolver os problemas pessoais e profissionais, mas tudo esbarra radicalmente num roteiro raso que resolve tudo da pior e mais rápida maneira possível.

As ligações entre várias histórias são irrisórias, uma participação sobrenatural nos acontecimentos é explicitada mas só quando se convêm (seria demais pedir uma “explicação”, mas ao menos algo de coerente com o resto do filme) e a sensação ao final do filme é de puro tempo perdido. Alguns planos lindos não salvam esse experimento de Copolla, que nem consegue passar a sua imagem digital a mesma força com a qual Michael Mann, por exemplo, emprega.

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Filed under Cinema, Críticas

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