Federer se aproxima do número 1 e esquenta início de temporada

Depois de só acompanhar o Australian Open por resultados e atualizações ao vivo do placar, mas sem ver nenhum jogo, voltei a finalmente acompanhar algumas partidas ao vivo em Indian Wells. Na verdade, resolvi voltar para ver o inesperado jogo de Thomaz Bellucci e Roger Federer. O brasileiro que meio por sorte e um tanto por talento chegou as oitavas de finais pela primeira vez de um Master 1000 (série de torneios mais importantes depois dos Grand Slams).

Para tanto ele passou pelo alemão Florian Mayer, número 20 do mundo – maior vitória sobre quadra dura da carreira e melhor resultado em 10 meses – mas que teria sido vítima de uma virose que afetou dezenas de jogadores, o que também serviu de desculpa para várias derrotas inesperadas. Seu adversário da rodada seguinte, o russo Nikolay Davydenko sim adoeceu e nem conseguiu entrar para o jogo. Já o suiço, antigo número 1 do mundo, passou por muitas dificuldades pelo canadense Milos Raonic, nova sensação da ATP.

Para surpresa e delírio, Bellucci quebrou o suiço e ganhou o primeiro set e chegou muito perto de vencer no terceiro set. Perdeu, mas ficou a sensação de um possível retorno, o que é fundamental pois com a perda dos pontos decorrentes da semifinal do Masters de Madrid no ano passado ele provavelmente vai despencar no ranking em abril, provavelmente parando na 90ª posição se não obter um resultado significativo até lá.

Mas sendo fã do suiço, fiquei um tanto feliz e visto o bom jogo, resolvi acompanhar outras partidas do torneio. No dia seguinte teria um outro favorito meu Gilles Simon que enfrentou John Isner nas quartas e na sexta-feira, Federer contra Juan Martin Del Potro e um clássico, Rafael Nadal e David Nalbadian. Me impressionou a forma com que Federer massacrou o argentino e como o velho Nalby conseguiu jogar imensamente bem e perdeu nos detalhes e digamos, na afobação de fechar a partida contra um apático Nadal.

Nas semifinais, Djokovic não conseguiu trabalhar bem com o saque fenomenal de John Isner e Roger Federer jogou seu melhor tênis por 1 set e meio contra Rafael Nadal, um show. O espanhol que se especializou em jogar contra o suiço no banho-maria e começar a se aproveitar das falhas e da subsequente fraqueza mental de Federer não conseguiu concretizar a virada que ameaçou. Federer escapou de sofrer um turkey (ou seja, quando você tem 10 ou mais vitórias contra o adversário), mas ainda lida com um retrospecto ultranegativo contra o seu maior rival : 18-10.

Após uma final tranquila hoje, Federer consegue igualar o recorde de Master Series conquistados : Possui 19 títulos, assim como Nadal. E talvez o mais importante é o fato de que ele entra definitivamente na briga pelo número 2. Sua diferença está em 825 pontos para o espanhol, sendo que defende muito menos pontos ao decorrer do ano. Aliás apesar da derrota na semifinal do único Grand Slam ele assumiu a liderança da corrida de 2012 : Possui 2820 pontos conquistados no ano contra 2540 de Djokovic. Nadal está num distante terceiro lugar com 1800.

Se Federer for campeão em Miami, e Nadal perder na semifinal, o suiço já vira número 2 do mundo na segunda seguinte. E uma vez lá, o primeiro posto não está muito longe. Djokovic, com 12.670 pontos contra 10.175 de Nadal assegurou o número 1 até dia 7 de maio. Ele tem 1.000 pontos para defender de Miami, 250 de Belgrado e 1.000 de Madrid que caem antes do torneio começar, dia 7 de maio. Já Nadal tem 600 de Miami e Madrid além dos 1.000 de Monte Carlo e 500 de Barcelona. Considerando que ele ganhe os três torneios (Miami, Monte Carlo e Barcelona), e Djokovic não some nenhum ponto – o que é altamente improvável, o sérvio entra na temporada de saibro com 10.420, enquanto Nadal pode apenas somar 400 pontos nos EUA e perde os 600 pontos antecipados de Madrid, indo para 9.975. Considerando uma vitória de Nadal no novo saibro azul espanhol ele ganha 400 pontos (1.000 – 600 da final de Roma, semana seguinte) e pula para 10.375 enquanto Djokovic cairia no máximo para 9.420, sendo que só tem 720 pontos para defender até o fim de Roland Garros.

Considerações finais em matéria de ranking:

  • Novak Djokovic já tem o número 1 garantido até dia 7 de maio. O sérvio entra nesta segunda na sua 38ª semana seguida. Em 2 semanas (2 de abril) iguala ao romeno Ilie Nastase e no dia 23 de abril entra em sua 43ª semana de domínio, se igualando ao brasileiro Gustavo Kuerten. Até o dia 7 de maio são 45 semanas. Só 11 outros jogadores lideraram mais do que ele e o aproxima do segundo período de liderança de Nadal com 46 semanas consecutivas. O primeiro durou 56.
  • Com 8.700 pontos mínimos contra 11.615 pontos máximos de Nadal (que tem 2.000 pontos a defender no Aberto francês, ele precisa somar 2.915 pontos em toda a temporada de saibro (e mais uns pontos de excesso considerando que Nadal deve participar de um ATP250 na grama aonde defende só 45 pontos) para continuar como número 1 do mundo por mais 6 semanas (totalizando 51) até Wimbledon. Jim Courier, o atual 11º na lista soma 58 semanas.
  • Estes pontos não podem ser só obtidos em semifinais nos próximos masters (360*3 = 1080), mais um título em casa, contra pouquíssimos adversários de destaque (250) e uma semifinal de Roland Garros (720). Faltariam ainda uns 900 pontos, mas para isso também é necessário que Nadal ganhe Miami, Monte Carlo, Barcelona, Madrid, Roma, Roland Garros e Queens. Ou seja, uma vitória em um Master já tira 1040 pontos desta conta e liquida, contanto que as outras semifinais sejam obtidas.

ATENÇÃO: Todos estes cenários não levam em consideração um nome : Roger Federer. O suiço tem pouquíssimos pontos para defender. Perde 180 pontos de Monte Carlo, que não deve disputar, mas pode ganhar 640 pontos em Miami e outros 640 em Madrid além de 910 de Roma, em caso de títulos. Ou seja, 2010 pontos ganhos antes de Roland Garros, o que levaria a tum total de 11.430, enquanto Djokovic num pior cenário teria 9.420. Federer tem chances matemáticas de atingir o número 1 com uma vitória já em Roma mas para isso precisaria de uma vitória nos 3 masters que disputa (o que o levaria a 11.360 pontos) e que Djokovic não chegue na final de apenas um deles. Nada impossível, mas difícil imaginar que o já trintão consiga fôlego para tanto, ainda mais num ano cujo principal objetivo é vencer Wimbledon e as Olimpíadas – e aí sim talvez repetir 2008 quando Nadal após levar os dois torneios subiu ao número 1 do mundo pela primeira vez.

Uma briga forte pelo número 1 animando o início de temporada. Enquanto isso, Andy Murray vê o pelotão da frente cada vez mais distante e no nível challenger, o brasileiro Tiago Alves venceu o torneio de Guadalajara diante do italiano Paolo Lorenzi, subindo 55 colocações e alcançando a 161ª posição do ranking. Contando apenas os resultados da temporada ele está em 54º lugar, 5 posições atrás de Bellucci. Foi sua segunda conquista no ano, após o título em São Paulo, no início de janeiro.

1 Comment

Filed under Bellucci, Djokovic, Federer, Nadal, Tênis

One response to “Federer se aproxima do número 1 e esquenta início de temporada

  1. Suzana

    Pena q sua matemática a favor do Federer já começou a dar errado com uma das maiores zebras do ano: Roddick vencendo por 2 sets a 0 do suíço. Vou ficar aqui só assistindo os jogos e esperando você refazer as suas probabilidades, ok? rs

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