1º de Janeiro de 2012

A virada do ano foi incrível. Não estava dando nada para esse reveillon europeu até porque nunca fui de curtir muito esta comemoração, mas uns amigos vieram para Frankfurt, então resolvi vir também. Em Berlim eu sabia que tinha uns fogos (mas non troppo) mas não soube nada de Frankfurt. Seria mais pela companhia e para conhecer a cidade.

Cheguei mais cedo e fui explorar. Fiquei encantado pela arquitetura eclética da cidade, misturando muito prédios góticos (a maioria reconstruída após os bombardeiros da segunda guerra) e uma arquitetura moderna e arrojada, uns prédios de vidro super estranho. Espero por fotos em breve, mas de verdade. rs

Meu albergue ficava no “red light district” da cidade, então era divertido ver os vários imigrantes e clubes de sexo, em uma área tão perto do centro histórico. Lá pelas 20h o povo já começava a soltar fogos na rua. O primeiro foi meio perto de mim, o que me assustou, mas aí começei a perceber melhor o entorno e fiquei a salvo.

Fomos para a beira do rio, aonde soltam os fogos. Estava com nuvens baixíssimas e logo com os primeiros fogos de artifício, a visibilidade ficou super baixa. O interessante é que não rola nenhuma solta de fogos oficial, como no Rio e outras cidades maiores em que o governo ou alguma instituição organiza. É cada um por si com seus fogos e tentando fugir dos fogos dos outros. A princípio soa um pouco perigoso, mas como não vi ninguem se machucando não deve ser tanto né?

Desde as 22h a quantidade de fogos explodindo já era enorme. A cada minuto que passava, mais perigos com um menino louco do nosso lado (de uns 8, 9 anos) e a mãe mais louca ainda encorajando a peste. Chegou meia noite, os sinos de uma catedral atrás da gente começando a tocar, a galera se abraçando, gritando, mais fogos. Muito bom passar com os vários tipos de alemães! Um povo que tem a fama de ser super burocrático e tecnocrata mas que sabem igualmente se divertir.

Uma pequena confusão na ponte na volta (causada por brasileiros rs), mas nada que diminuisse o valor da festa. Uns trinta minutos de sinos tocando, três horas de fogos initerruptos (Copacabana tem o que, 20 minutos? rs) e alma lavada para o início de 2012. Voltei para o albergue para ter meu último contato com 2011 via Skype.

Logo cedo fui numa catedral enorme aqui, a Döm, muito linda por fora (mas nem tanto por dentro). Peguei a metade final da missa, foi muito interessante acompanhar tudo em alemão. Meio-dia e meia, com os amigos acabei voltando e foi divertido também pelo fato de que a missa nesse horário era em croata (não imaginava a quantidade de imigrantes em Frankfurt, fiquei considerando se não é uma missa “encomendada”, ou se tem algum padre croata lá.

Depois do almoço, hora de entrar no carro, por Kraftwerk no rádio e andar tranquilamente pelas Autobahns alemães em direção à Fulda, uma pequena cidade alemã. O problema começou quando meu albúm clássico “Autobahn” foi vetado e prosseguiu com diversos erros de caminho nas estradas não tao bem sinalizadas quando imaginava. No fim, valeu pela diversão e conseguimos chegar, apesar da viagem (prometida) de 1 hora ter durado quase 2.

A cidade é linda, com umas casinhas super alemães-típicas, umas igrejas incrivelmente grandes e antigas, uma universidade que lembra muito o IFICs (e com todo aquele ar de universidade de cidade pequena, centro cultural e festivo da cidade) e umas ruas super lindas. Fomos jantar num lugar incrível e barato. Dia primeiro de janeiro, e lá estavam uns alemães reunidos em uma mesa gigante, tocando violão, rindo, conversando, passeando entre música pop alemã e rock clássico, ambiente festivo, muito contagiante.

Fiquei me imaginando morar numa dessas cidadeszinhas pequenas, sem nada pra fazer aparentmente, e tendo como grandes diversões esses encontros casuais e empolgantes. Depois de volta para o hotel, achei que não era suficiente e fui andar sozinho pelas ruas pequenas e vazias. Lá me lembrei de um sonho que tive por idos de 2005, em que eu morava por uns tempos numa cidadezinha pequena da Alemanha Ocidental nos anos 70. Era durante a Copa de 78, se não me engano. Era um ambiente idílico, bem diferente daquela vida em Campos.

Não sei se tive alguma referência cinematográfica para o sonho (« Adeus, Lenin « , talvez?), mas as imagens me marcaram muito e andando a noite sozinho sem rumo pelas ruas, passando por um ou outro alemão na rua, me lembrei dele e achei incrível que logo no primeiro dia, um dos sonhos que mais me seguiram se realizou assim, sem nenhum preparativo (até o início da manhã permaneceria o dia inteiro em Frankfurt ou voltaria mais cedo pra Paris). Estimulante e me deu certeza que esse ano será de realizações, seja para o melhor ou seja para finalizar certas fases da minha vida.

Feliz ano novo para todos!!!

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