“O Quarto do Filho” (2001) e “As Férias de Sr. Hulot” (1953)

Os dois filmes abaixo foram vistos na Cinemateca Francesa. Tá rolando uma mostra completa do Moretti, mas acho que só vou ver esse. Não sou muito fã dele pra ver os que ainda não vi, apesar de ter 2 ou 3, premiados em Berlim e Cannes que me animei a ver, além de uma vontadezinha de rever “Caro Diário”, mas como tem coisas muito mais importantes para serem feitas e vistas aqui, acabei deixando pra depois e perdi. Já o filme do Tati foi o primeiro francês visto aqui, perfeito pra quebrar a barreira da não-legenda já que tem pouquíssimos diálogos. Funcionou, desde então já vi outros 3 filmes franceses!

 

O Quarto do Filho (La Stanza del Figlio, 2001, FRA/ITA) de Nanni Moretti

Tá aí um filme que cresceu muito na memória, e uma revisão o derrubou um tanto. O filme, vencedor da Palma de Ouro, numa incursão rara no drama por Moretti, apesar de competente soa um tanto forçado em algumas cenas. O drama de um pai (e uma família inteira) que tem que suportar a morte do filho adolescente funciona muito bem e emociona, mas alguns tiques de Moretti nos lembram sempre que estamos vendo um filme estrutural.

As cenas dele (que interpreta o protagonista) lembrando do filho são interessantes, assim como suas cenas no divã tendo que lidar com seus pacientes enquanto não consegue ainda superar a perda do filho. Mas logo antes do menino morrer, a trilha aumenta, todos personagens passam por alguma espécie de perigo (a filha quase sofre acidente de moto, ele de carro, etc), nos deixando em alerta: “Vai acontecer alguma coisa”.

O clima que vai sendo criado na metade final do filme é bem interessante auxiliado por uma trilha evocativa e fotografia um tanto melancólica. Moretti sabe quando terminar seu filme e isso é fundamental para “O Quarto do Filho” nos deixar um certo impacto ainda ao final da projeção.

As Férias do Sr. Hulot (Les Vacances de Monsieur Hulot, 1953, FRA) de Jacques Tati

Assistimos aqui o início de todas as aventuras do mítico personagem criado por Jacques Tati. Mas se ele iria dialogar com questões fundamentais da sociedade moderna em obras-primas como “Playtime” e “Meu Tio”, nessas viagens de férias ele está em início de carreira, o que significa algumas cenas engraçadíssimas, mas sem a importância de seus futuros filmes.

O diálogo é mínimo e as graças visuais são enormes: Um barco que parece um tubarão, o jogo de tênis, a correria em uma estação de trem, esconde-esconde, etc. Mas enquanto algumas sequências são hilárias, outras faltam um ritmo que Tati ainda iria adquirir. Talvez por isso seja o mais divertido de todos os filmes. Na sessão  em que eu fui na Cinemathéque, tinham várias crianças que adoraram, comprovando a força da mise em scène criada, mas certamente falta um impacto  que acabaria sendo o principal traço do estilo do cineasta.

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