“Vivendo no Limite” (1999) de Martin Scorsese

“Vivendo no Limite” (“Bringing out the Dead”, 1999, EUA) de Martin Scorsese 9/10

Um filme que passa despercebido da filmografia de Scorsese, mas é um grande olhar sobre uma Nova York que continua corrompida, tal como “Taxi Driver”. A diferença é que aqui não estamos em um olhar contemporâneo. Lançado em 1999, a época retrata é o início da década de 90, após alguns anos de filmes que se passavam em outras cidades. Seu longa seguinte, “Gangues de Nova York” seria sobre a formação da cidade – uma indicação talvez de Scorsese de que as coisas estavam melhorando?

O título original tem uma sutileza fantástica. Nicolas Cage passa o filme todo vendo seus fantasmas, tentando lidar com eles e consigo mesmo, encontrar uma saída para sua vida. Ele mostra aqui que com o papel certo, geralmente de um cara bem perturbado e cheio de fantasmas pessoais ele consegue entregar uma performance excelente. Sua atuação é visceral e carrega o filme, com um suor constante, um nervosismo vindo da necessidade de fazer algo para continuar sobrevivendo, manter o pulso, apesar de todas as adversidades.

A trilha sonora, assinada por Elmer Bernstein, é das melhores, e o olhar de Scorsese sobre Nova York é ao mesmo tempo pertubador, mas que parece encontrar somente nesse caos todo um sopro de vida. Como os personagens do hospital, parece que ela só vive para nos alegrar, um tanto artificialmente. Uma visão completamente nua e crua de uma cidade cujo lado imundo quase nunca é tão bem mostrado quanto aqui.

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