Início das aulas e Festival do Rio

Hoje foi meu primeiro dia de aula, mas não exatamente do curso de cinema. Enquanto a faculdade mesmo só começa em outubro, eles fazem 2 semanas de curso de francês com os estudantes internacionais para que a gente vá praticando o idioma e conhecendo Paris. Enquanto de manhã serão aulas “normais” de francês, a tarde vão ser passeios pela cidade e a noite saídas. Fiquei feliz com isso porque ainda dá tempo de descansar, já que não me vejo muito fazendo essa turistada toda mesmo que seja bom para fazer amizades e tal. Hoje conhecemos a faculdade e me lembrou um tanto a UFF, mas em um nível maior – até porque lá em Niterói eu estudava numa casinha longe do campus. Aqui não, é tudo junto, parece mais uma universidade.

Legal descobrir que os brasileiros são legais e também não fizemos uma panelinha. Quer dizer, ela até foi feita, mas incluiu também uma portuguesa (que giro!) e uma suiça. Mas enfim, também deu pra conversar um bocado com um grego e um monte de italiano, o que mais tem por aqui (se bem que a quantidade de brasileiros me assustou, deve ter uns 15 ou 20 até).

No campo cinematográfico, tudo as mil maravilhas. Tava vendo uma média de 4 filmes por dia, mas agora com o início das aulas deve maneirar. Hoje devia estar procurando apartamento, mas vou ver “Como matar seu chefe” e  “De olhos bem fechados” do Kubrick, pois tá rolando uma retrospectiva dele aqui em cópias ótimas na Filmothèque du Quartier Latin, que é provavelmente a sala com melhor programação da cidade (tá rolando ao mesmo tempo Festival do Kubrick, Antonioni e um “Nova York vista no cinema” com títulos super interessantes. Ver “2001” no cinema, foi certamente uma das maiores experiências da minha vida. Espero fazer algum texto, se tiver tempo.

A semana cinematográfica começa aqui quarta-feira. E é uma programação estranha para os brasileiros: Praticamente só os filmes recém-lançados tem sessões regulares durante a semana. O resto passa por exemplo quinta as 16h20, domingo as 13h e terça as 21h30. Por conta disso já perdi alguns filmes que quero muito ver como “Le Gamin au Velo” dos Dardennes e “Une separation” o iraniano que levou o Urso de Ouro. Espero que eles continuem na próxima semana. Quarta devo ver outro concorrente de Cannes, “This must be the place” com um Sean Penn rockeiro de drag.

Entre outras experiências cinematográficas inesquecíveis está a de “Cantando na Chuva”, o qual vi ontem. Parecia até brincadeira do protagonista: Na cena em que os três protagonistas estão discutindo como dublar a voz estridente de Lina Lamont, teve problema no som. Imaginei até que alguém viria e começaria a dublar. Pros que não viram ou não lembram essa cena é exatamente a anterior ao mais que clássico número-título do filme. A medida que as reclamações iam sendo feitas e nada se resolvia começou a se criar um impasse muito grande na sala. Como assim naquele momento tão divino nós seriamos privados de som? E aí Gene Kelly sai da casa, olha para a rua azulada, abre seu guarda-chuva… e nada de som. De repente começa a resposta da plateia: Voz a voz, começamos a nós mesmos cantar “Singin’ in the rain”. A maioria só sabia os primeiros versos, uns outros embolaram a segunda parte (que é a mais bonita, inclusive, e mais empolgante), mas não importa. Só essa sensação toda de euforia total, e uma sessão de cinema “de verdade” valeu a pena. Pelo menos o som voltou no meio da canção e ainda tivemos o prazer de ouvir um pouco. Mas tudo bem, teremos outras chances de ouvir Gene Kelly cantar, certamente.

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s