Filmes vistos na Cinemateca Francesa #1

Alguns pequenos textos de filmes que vi no primeiro dia que fui na Cinémathèque Française. Vou tentar postar mais, ainda mais porque vi uns grandes filmes já no cinema (“O Quarto do filho”, uns do Kubrick, uns do Lumet…)

 

“Company Limited” (“Seemabaddha”, 1971, IND) de Satyajit Ray 7,5/10

Belo drama sobre uma uma jovem do interior que vai visitar sua irmã em Calcutá e começa a se aproximar emotivamente de seu cunhado. As personagens são bem desenvolvidas e a relação do homem tanto com sua esposa (que lembra um pouco a Juliana Paes de “Caminho das Índias”), como com a cunhada são trabalhadas com cuidado.

O já experiente diretor consegue fazer um impactante retrato da índia na época, 25 anos depois da independência, voltada entre o nacionalismo e o modo de produção à moda inglesa, além de mostrar as turbulências que passavam, já que na época vivia-se o auge do conflito com o Paquistão pela interferência na independência de Bangladesh do país vizinho e inimigo.. Esse olhar sobre a cidade é vsob o ponto de vista da menina do interior que vê a cidade grande como um alvo constante de terroristas, que assolava a cidade na época (um pouco parecido com a visão brasileira sobre Rio e São Paulo).

A única cena em que os pais do protagonista aparecem ajuda a dar um tom sob aquele mundo elitista que Ray mostra, apesar de soar por vezes um pouco forçada, assim como uma crítica velada ao mundo empresarial, que toma quase todo o ato final, mas que ainda assim não deixa de ser impactante. Um interessante retrato de uma Índia em transição e assim como o protagonista, tentando encontrar seu rumo na história.

 

“À Beira do Mar Azul” (“U samogo sinego morya”, 1936, URS) de Boris Barnet, S. Mardanin 7/10

Um lindo filme feito por Boris Barnet, um dos cineastas mais subestimados da grande fase do cinema soviético pré-guerra. A historinha é sobre um triângulo amoroso formado por dois marinheiros que são resgatados de um naufrágio por pescadores e levados a uma vila na qual conhecem uma linda garota. Mas isso não importa muito. O forte da história é o visual magnífico que a fotografia de Mikhail Kirillov consegue captar. As primeiras cenas em especial são espetaculares.

 

 

“Sorria Para a Vida” (“Bring Your Smile Along”, 1955, EUA) de Blake Edwards 4/10

O primeiro passo para um musical dar certo é uma coisa básica: As músicas devem ser boas. É aqui que a estreia na direção de Edwards começa a dar errado. O filme é sobre um trio de músicos (um cantor, um compositor e uma letrista) que se encontram numa pensão de uma Nova York escancaradamente cenográfica e tentam a sorte no mundo da música.

O tom é todo falso: As músicas são fraquíssimas mas fazem um sucesso absurdo. A heroína é divida entre o professor de biologia sem futuro da cidade-natal e o músico faminto por sucesso da cidade grande. O clima é bacana o que evita um fracasso, mas boas intenções não bastam e no último ato o filme e torna um tanto chato.Se não fosse a estréia do cineasta, estaria completamente perdido entre os musicais realizados na década de 50.

 

“Terra de Abril” (“Terra de Abril”, 1976, Portugal) de Anna Glogowski, Philippe Constantini

Um filme dirigido por dois franceses  que se aproveitam de um momento histórico em Portugal: os dois anos da revolução dos cravos e a primeira eleição legislativa no país (seguinte à constituinte de 1975) para visitar uma cidadezinha, Vilar de Perdizes e ver o que mudou ali exatamente.

Abril também é semana santa e em como qualquer vilarejo brasileiro eles também comemoram fazendo a encenação da paixão de Cristo. O filme então se divide em três frentes: Os ensaios para a Paixão, a Paixão de fato e os debates políticos que tomam a cidade como uma tempestade.

O filme é todo em preto-e-branco virado em sépia, menos a segunda parte que é colorida. As cores desta parte são fenomenais, enquanto o clima sépia traz um tom árido para o filme, conseguindo captar o dia-a-dia da população, entre bares, discussões na rua, debates políticos e reuniões. A encenação da Paixão é muito interessante, com uma visão um tanto única e original.

O filme gerou duas continuações por parte de Philippe, que visitou a cidade nos anos seguintes para ver o que aconteceu com a população.

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