Crítica: “A Pele que Habito”

A Pele que Habito (“La Piel que habito”, 2011, Espanha) de Pedro Almodóvar 5,5/10
Previsão de estreia no Brasil: 14 de outubro de 2011 (Paris)

Em primeiro lugar, tente ler o mínimo sobre o filme, porque existe um spoiler que pode estragar bastante. Eu já sabia dele por um artigo escrito em Cannes e obviamente minha percepção ficou um tanto alterada. Mas não se preocupem. Se eu for falar de spoilers ou algo assim, eu aviso, até porque a parte final da trama é fundamental.

Antes, partimos do início: Antonio Banderas é um médico muito bem-sucedido que faz experiências com a pele humana. Ele mantém em sua casa um centro clínico, com consultório e sala de operação, mas só cuida de uma paciente a quem mantém trancada dentro de casa, com a ajuda de sua empregada (Marisa Paredes).

Aos poucos vamos entendendo através de flashbacks o que significa toda aquela coisa meio louca. Almodóvar continua com seu cinema de cores explosivas, e cada vez mais retorna àquele cinema que o consagrou no início dos anos 90, cheio de reviravoltas, suspense, ação, tiros. Mas tudo para “mascarar” um horror muito mais profundo, o psicológico.

As motivações, o que levam as personagens a agirem assim não interessa muito para Almodovar, como vemos na relação entre a personagem de Marisa e seus filhos, no decorrer da trama. O que importa para o cineasta é estudar o comportamento deles após as reviravoltas que acontecem, como no caso especial da personagem que encerra a película.

Agora, SPOILERS, depois do corte

Toda a reviravolta que o filme dá, é fundamental para entendermos as personagens. Banderas, como um homem doentio que perdeu todas as pessoas queridas (esposa, filha) e vê no agressor da filha, alguém que pode usar para fazer um experimento de troca de pele – e o fazer igual à esposa, mas que no fim acaba se afeiçoando de uma tal maneira a ele/ela que quase por carência se envolve romanticamente.

É quase um Vertigo gore, só que ao invés de termos um James Stewart desenhando a sua mulher dos sonhos por roupa e penteado, temos um Bandeiras criando a partir de um jovem, sua esposa. Não dá pra saber ao certo o que motivou tudo isso, se ele já estava pensando em fazer isso e só faltava alguma vítima, ou se depois de ter seqüestrado o garoto, resolveu por em prática o que só lhe existia em teoria.

Mas como disse mais cedo, isso parece não fazer muita diferença para Almodovar. Só que este ponto fraco apesar de não atrapalhar o envolvimento com a película é algo que fatalmente o distancia um tanto de seu período de auge entre “Carne Trêmula” e “Volver”.

3 Comments

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3 responses to “Crítica: “A Pele que Habito”

  1. Pingback: Indicações para o Festival do Rio 2011 «

  2. Num 2011 cheio de bons filmes, A Pele Que Habito periga ser o melhor do ano: http://espinafrando.com/2011/11/espinafrando-a-estreia-a-pele-que-habito/

  3. justpine

    Eu acho que La piel que habito é bem mais do que uma história de vingança. As personagens estão presas às suas origens. Robert à sua mulher, Vera à sua mãe. E sinceramente acho que Vera também se afeiçoa a Robert. Porem temos que ver que existem aqui laços que nunca foram quebrados com o passado.

    E vera assim que vê fotos do passado lembra-se e só quando ela conhece todo o espectro da história contada por Marisa Paredes é que ela resolve agir. considero-o um filme fascinante.

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