Crítica: “Habemus Papam”


“Habemus Papam” (2011, Itália/França) de Nanni Moretti 6,5/10
Data de estréia para o Brasil: 25 de novembro (Vinny Films) 

Nanni Moretti mexe numa ferida um tanto espinhosa: O conclave que elege os Papas. Partindo de imagens da morte de João Paulo II, seu funeral e toda a comoção que se sucedeu, vemos uma reportagem satirizando a escolha quase como uma Copa do Mundo, em que cada jornalista prefere seu candidato nacional e os Bispos são representantes do país.

As cenas da escolha do Papa são excelentes. Para começar, Moretti brinca com o fato de que eles não são nada mais do que um grupo de velhos, alguns rabugentos, outros um tanto desastrados pela idade. Na hora de votar também, parecem um pouco crianças na hora da prova: Um tenta espiar a escolha do outro, brincam com a caneta em sinal de nervosismo, escrevem uma resposta para apagar. Enquanto isso todos rezam para não serem os escolhidos.

Quando finalmente chega em uma unanimidade, o Cardeal Melville (Michel Picolli), e está prestes a ter um anúncio geral, ele tem uma crise. Não quer ser Papa, não quer virar uma Santidade, quer ainda aproveitar seus anos de vida, pondo o Vaticano e o mundo inteiro numa espera interminável. Um psicólogo então é chamado (Moretti), que serve mais para por os religiosos em isolamento em uma confusão do que resolver mesmo o problema papal.

No filme, o teatro acaba sendo uma peça fundamental para a narrativa. Tem algo de belo nessas cenas, apesar de toda solução encontrada pelo diretor-roteirista ser um pouco rasa no final, especialmente o clímax um pouco falso. Assim, a comédia funciona, mas apesar de o filme ser bem interessante, ele não consegue alcançar vôos mais altos.

Creio que o importante para Moretti foi alcançado, que é um estudo por mais raso que seja (e ele deveria passar pelo tom cômico) sobre um homem prestes a passar pela mudança mais importante de sua vida, que decide revisitar seu passado, sem se ater a questões mais amplas, que poderiam ter vindo com um tema tão forte. Só assim para entender também a caracterização simplista de todos os cardinais.

A seu favor, funciona muito bem para este propósito o foco por um lado no protagonista e em outro na longa espera dos cardeais (a cena em que um pequeno grupo volta de um passeio por Roma é divertidíssima), sem se ater a discussões mais amplas, além de conseguir fazer uma boa crítica à devoção exacerbado da maioria dos católicos.

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