Whit Stillman encanta no encerramento do Festival de Veneza

Acho muito legal essa história de fuso horário porque cá estou eu, já vi filme no cinema, escrevi um texto e ainda está amanhecendo no Brasil. Aliás não entendo porque não existem mais sessões diurnas por aí também…

Bom, vamos ao que interessa. Acabei de ver o filme de encerramento do Festival de Veneza, o mágico “Damsels in Distress” de Whit Stillman. Dele já tinha visto “Os Últimos Dias do Disco” e “Barcelona” faz uns 8 anos e não gostei de nenhum. Talvez seja hora de rever. O cinema dele é fluído como um rio, como diz uma personagem uma hora, vai e volta. Mas o filme mais aclamado dele é o primeiro “Metropolian”, que foi até indicado ao Oscar de roteiro. A conferir.

O Complexo do Festival está vazio. Todo mundo ou se preparando para a premiação ou já foi embora. Hoje as 14h (9h de Brasília) ainda passa o filme-protesto do Jafar Pahani, que estreou em Cannes. Acho que vai ser o meu último filme mesmo. Pensei até em ver um russo, mas achei melhor ficar aqui na sala de imprensa resolvendo pendências e escrevendo os textos, enquanto o tempo não passa. Daqui a pouco tem as minhas previsões para o Leão de Ouro.

Enquanto isso, queria fazer um complemento de uma crítica que eu fiz “People Mountain Peolpe Sea”. Fui muito duro tanto na nota quanto nos comentários, negligenciando suas qualidades. Vida de festival é assim, demora as vezes pro filme entrar ou uma raiva momentânea obscurece outros pensamentos. Também teve outros filmes que eu acabei mudando a nota, mas sempre 0,5 a mais ou a menos, questões de precisão.

Reavaliação de “People Mountain People Sea” (“Ren Shan Ren Hai”, Hong Kong/China) de Cai Shangjun 3,5/10 (era 2/10)

Tudo que eu falei mal do filme na minha crítica original permanece verdade. Mas não sei se foi a decepção, ou o fato de ser mais um chinês ou ainda a confusão toda que aconteceu, mas depois fui pensando e não acredito que deixei de falar de alguns pontos positivos do filme. Mas ainda acho que ele é problemático e mal resolvido narrativamente.

A primeira cena é espetacular, ainda mais sob uma paisagem enorme. A fotografia consegue explorar bem as paisagens rurais chinesas para tecer essa história que se passa “por dentro da China verdadeira”.  Por isso que o filme não pode ser anunciado, mas a instituição do filme-surpresa não pode se transformar em mero palanque para filmes chineses proibidos pelo governo.

A sequência em que se passa na mina de carvão, com vários trabalhadores sendo mantido escravos e tecendo suas próprias leis e regras também é fantástica e o único momento do filme em que existe um brilho verdadeiro. Mas é só ali, e em um ponto de vista puramente estético, que ela funciona.

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