Primeiras impressões do Lav Diaz no Festival de Veneza + Ben Rivers

Já são 3 da manhã aqui e devo acordar ums 6h30 amanhã. Os favoritos ficam pra daqui a pouco, durante a manhã aqui, madrugada aí no Brasil. Estou preparando uma lista, mas no final, sempre rolam surpresas. Tem que já contar com elas nas previsões.

Acabei de ver o filme mais espetacular do Festival, “Woman of the Wind”, do Lav Diaz. Com pouco mais de 6 horas, segundo minha cronometragem – o festival aponta 5h45 e o IMDB 2h, coitado de quem seguir o último rs – ele consegue criar um painel incrível de personagens para estudar basicamente os temas do culto – ao cinema, a religião, às amizades, o que quer que seja. Amanhã eu escrevo sobre ele. Preciso dormir ainda, por as ideias na mente.

É incrível como o filme tem um ritmo acelerado, não tem pulso fraco. Alias, muito mais vigor do que esses dois filmes aí retratados. Apesar disso, muita gente saiu desde o início do filme, a começar pelo próprio Laz que foi apresentar a obra e depois de passar semanas, meses, anos, mexendo nesses filmes ou fica pra sempre ou precisa confiar em alguém a edição de seus filmes.

Aliás, acho que vou deixar pra amanhã também uma retração para “People Mountain People Sea”. Lendo, vi que acabei não falando nada das coisas que gosto. A nota também é muito baixa, merece um 3,5 pra cima pelo menos. Mas amanhã…

“Passing through the Night” (Tailândia) de Wattanapume Laisuwanchai (curta) (5,5/10)

Um pequeno filme sobre a memória, sobre os danos a ela. Não consegue se impor muito e logo numa enxurrada de filmes durante o festival, esse trabalho de Laisuwanchai, como o próprio objeto de pesquisa, é riscado pelo tempo. Ele usa muitas referências as películas para tentar mostrar como nossas lembranças são facilmente destruídas. Neste curta específico, as memórias de sua mãe. Talvez seja melhor esquecer, apagar? Gondry já fez um espetáculo com essa pergunta 7 anos atrás, mas aqui num tom ultrapessoal ela ainda soa válida.

“Two Years at Sea” (Reino Unido) de Ben Rivers (5,5/10)

É importante termos um tipo de sétima arte que desafie a dominante, para o próprio amadurecimento do cinema, seja de suas técnicas narrativas mais lineares como as mais experimentais. Mas tai um filme que apesar de sim, ter uma importância, fazem pouco efeito numa relação mais direta com o espectador. Ou seja, ele consegue atingir o público com uma relação puramente estética. Mas será que era só isso que desejava?

O filme em uma fotografia preto-e-branca sublime, retrata sem diálogos e em planos perfeitamente alinhados a vida de um homem que mora isolado no mar por dois anos. Misturam-se cenas da juventude do protagonista, mas as cenas se movem tão lentamente que causam poucos efeitos. Eu pessoalmente não agüentei e tirei uns cochilos durante o filme, o 50º visto no Festival, só contando longas. Certamente não perdi muita ação e o distanciamento com o personagem e a atmosfera já estavam decididos faz um tempo.

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