Diário de Veneza: O comportamento dos jornalistas com as celebridades

Queria ter escrito mais sobre os bastidores aqui de Veneza, mas acho importante, como disse no outro post, falar de imediato os primeiros pensamentos. Há problemas. Hoje, com distância gosto mais de “People Mountain People Sea” – a primeira sequência é notável assim como a parte da mina. O espião inglês “Tinker, Tailor” também é bacana, merecia uma nota um tanto melhor (5, ao invés de 4,5) mas o texto acho que deu conta. E por aí vai…

Não estou aqui para repetir posts, e sim para falar agora do Festival mesmo. Foi meio estranha minha participação, ao mesmo tempo como imprensa e não. Fui oficialmente como indústria, pelo meu currículo de produções e também na preservação, mas na prática o acesso da indústria é quase o mesmo de imprensa. Só em sessões ultra concorridas dá problema, e pra mim só foi tenso em “Fausto”, pois cheguei de última hora (estava a ver “Cisne” de Villaverde que atrasou) e tive que esperar um tempo enquanto colegas da imprensa tinham passagem livre.

Nas coletivas de imprensa idem. A única que não consegui entrar foi a de “A Dangerous Method”, mas aí depois entrei na sala da Loreal, onde estavam lá o David Cronenberg, Michael Fassbender, Viggo Mortensen, Keira Knightley e Vicent Cassel. Eu do ladinho do Michael e do David, mas sem minha câmera digital. Fiquei em dúvida se pediria para tirar foto ou não, pudor. Mas penso que é bobeira, se fosse no dia seguinte… ainda mais do Michael a quem passei a amar depois de “Shame” e do grande David. Não que Keira e Viggo sejam de jogar fora também…

Nesse sentido o que me assustou um bocado foi o celebrityhunter de todos os jornalistas, ou quase. No fim das coletivas era uma correria gigante para a mesa da equipe, cheio de caderinhos de autografo e câmeras digitais. Sempre foi assim? Nunca imaginaria algo desse tipo acontecendo nos anos 60 ou 70… Dormir com eles sim, mas ficar se jogando na frente, fazendo escândalo, parece tão irreal. Mas talvez seja uma ideia estilizada. A única foto que eu tirei, aliás, acompanhado de alguma “celebridade” foi do Amir Naderi, que vocês talvez não conheçam mas foi diretor do meu filme favorito do Festival, “Cut” – ainda preciso dizer “até agora”, será?

Faltam só uns 7 ou 8 títulos pra ver… Todos com expectativas altas, menos o da competição. O Rudá disse ser meio babaca (Foi essa a palavra? Esqueci!) essa minha meta de ver todos os filmes da competição, mas me parece ter sentido. Afinal, eu gostaria de ver mesmo uns 15 deles, pelo menos. E já que vou estar torcendo pra alguns, e ainda fazendo previsão, melhor ver todos. E ainda mais para ficar com raiva do Müller – como admitir tanto filme italiano ruim? Só se salva o Moretti, que prefere Cannes? E pra que tanto filme em inglês (10), quase todos americanos?  Parece um “Oscar alternativo” isso…

Hoje na coletiva de imprensa do “Killer Joe” estavam Emile Hirsch e William Friedkin, além do roterista Tracy Letts. Friedkin fez um show, anunciava que cantaria – pediu sugestões e ameaçou uma ópera – reclamou do cinema americano atual. Citou Paul Thomas Anderson, Daren Aronofsky – se eu falar que gosto dele, vocês vão achar que tou tentando o seu voto? – e irmãos Coen, como diretores que acompanha, mas não pareceu muito convicto. Permanece com seus Antonionis, Fellinis, Fords. E ainda fez um pedido a nova geração: “Que façam com a tecnologia o que Welles fez com Cidadão Kane – avance as possibilidades”. Ou seja, curto e grosso: Não deixe uma câmera te ditar o ritmo, dite o ritmo da câmera – baseado na narrativa, decupagem e mise en-scéne.

Voltando à dupla identidade do início, “imprensa ou não imprensa”, resolvi apesar de não ter obrigação escrever sobre todos os filmes. Isso infelizmente acabou tirando textos sobre os bastidores, histórias de celebridades, etc. Desculpa se era isso o que vocês mais buscavam aqui. Acho que em parte isso acontece porque não tive quase nenhuma. Entre ver 5, 6 filmes por dia, escrever sobre eles, tentar comer alguma coisa… Mas valeu a pena acho. Durante o Festival, o Marcel Plasse acabou entrando em contato e também estou postando algumas das críticas lá no Pipoca Moderna. Espero agora continuar escrevendo sobre cinema, vou tentar não fazer esse blog morrer como tantos.

4 Comments

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4 responses to “Diário de Veneza: O comportamento dos jornalistas com as celebridades

  1. Rudá Lemos

    Foi “boba”, rs.

  2. Rudá Lemos

    Sua cobertura tá genial, Mateus.
    Bastidores das celebridades é sempre curioso, mas da minha parte o que me interessa mesmo são os filmes. Você fez a escolha perfeita! (só acho que devia ter visto mais filmes do Orizzonti, até pq tá reclamando da quantidade de filmes em inglês ;PPPP)
    Abraços!

  3. Mateus Nagime

    Ah ia ser mais divertido se fosse “babaca” hehehe😛 Mas sério, senti falta de ver mais Orizzonti também. Agora que percebi que o Bellochio é antigo, perdi a vontade. acho que vou lá na biblioteca ver algum título que eu perdi nas sessões normais

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