Crítica do novo Johnnie To e outros filmes de Veneza

Um tailandês que me surpreendeu muito, um Johnnie To do qual finalmente adoro e um curta lindíssimo. Mais pra frente tem críticas de Texas Killing Fields, Viva las Antipodas e um coreano que vou ver daqui a pouco! Hoje é dia de Lav Diaz, de 6 horas UAU.🙂

“Dyut meng gam” (“Life Without Principles”, Hong Kong) de Johnnie To (8/10)

Johnnie To se afasta de seu conhecido mundo de ações, tiros e perseguições – mas só um pouco. A trama trata de algo talvez tão violento quanto: O mundo financeiro e como os altos e baixos das bolsas no mundo afetam a vida de várias personagens, divididas em três diferentes núcleos, um tipo de edição que pode cair bem com o presidente do júri Daren Aronofsky, além de seu colega Todd Haynes.

A primeira parte é disparada a melhor e mais potente, lidando com o drama de uma jovem funcionária de banco, Teresa (Denise Ho) que trabalha no setor de ações e fundos de investimento está atrás no ranking dos funcionários. Para evitar ser demitida, precisa cumprir metas e metas e metas, fazendo-a ficar no trabalho até tarde da noite por vários dias ligando para clientes.

Ho consegue equilibrar extremamente bem o profissionalismo de sua personagem com a verdade lá no fundo que ela sabe que estão sendo vendidas mais ilusões do que realidades, e a perda é mais certa do que o lucro, apesar de todos os gráficos (no filme e na vida) mostrarem o contrário. Temos ainda uma virada na sua história e sua atuação passa a ficar mais contida e mais impressionante. Diante de um grupo não forte de atrizes este ano, ela pode muito bem levar a Copa Volpi.

Os outros dois lidam mais com ações da máfia e da polícia, além das relações pessoais dos envolvidos. O ritmo do filme é forte e contém ótimos diálogos, além de uma decupagem eficiente que consegue manter as três histórias em alta na parte final, culminando com ações reais, mas não tão reais. A realidade não importa para To, nunca importou – o núcleo dela é cenário para que ele crie seu próprio universo e assim consiga dissecar as personagens e problemáticas que o interessam.

“Tae Peang Phu Deaw (P-047)” (Tailândia) de Kongdej Jaturanrasmee (8/10)

Existe vida no cinema tailandês fora de Apichatpong! Honestamente esse foi o primeiro filme do país não dirigido pelo mítico cineasta citado do qual eu gostei. Talvez seja em parte fato da estrutura do filme se apropriar muito bem de referências ao cinema de Apichatpong, ou seriam referências culturais e cinematográficas mais enraizadas na Tailândia? Este é um belíssimo filme sobre amor, perseverança e os espaços que nos cercam

Na primeira parte da trama, dois amigos que trabalham como chaveiros, Lek e Kong, passam as horas liv res invadindo as casas dos clientes. Mas eles só querem curtir um ambiente diferente, experimentar novos estilos, ouvir música, beber, enfim, fazer quase visitas turísticas dentro  da casa das pessoas. Por vezes até levam uma roupa ou algum outro objeto, mas geralmente algo bem insignificante para não serem descobertos.

Mas no meio do filme tem uma virada a La Apichatpong que realmente transforma o filme em algo a mais. A imagem da Tailândia pelo seu cinema só poderia ser a melhor, penso. Um país único, ainda muito ligado a seus mitos, suas tradições e sua população, apesar dos vários problemas políticos que assolam. Se aqui parece que tudo é explicado, só é feito para assim confundir mais. Será que o que nos é dito é verdade? Importa o que é, ou o que se sente?

“Moving Stories” (Bélgica) de Nicolas Provost (curta) (8/10)

Filme curto e muito belo, uma homenagem aos sentimentos e a personalidade no mundo, que segundo Provost continua sendo original apesar de ser possível enquadrá-la diante de clichês. A base de seu projeto é simples: Um avião voa pelo pôr-do-sol enquanto ouvimos um diálogo de filme se tratando de um romance adolescente, que parece ter de enfrentar vários obstáculos para virar realidade.

O diálogo, consegue evocar com precisão, os bons filmes de romance que surgiram ao passar da história. Apesar de no fundo parecer bobo, só a voz, sem os trejeitos, gestos, etc. que podem estragar uma relação, aqui conseguimos compreender a emoção pura – e é essa a proposta de Provost, criar sensações conhecidas – e para atingir um “grande” público como evitar clichês?.


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