Novos de Andrea Arnold e Ermanno Olmi no Festival de Veneza

Sabem aqueles míticos aplausos de 15 minutos que falam que acontecem em Cannes? Nunca acreditei muito, porque você já tentou aplaudir por 5 minutos? Não acaba nunca! Mas acabei passando por uma situação um pouco parecida aqui em Veneza pela primeira vez agora, estranhamente numa das menores salas do complexo. Foi no final de “Would you have sex with an arab?”. Não chegou a ser de 15, mas foi exatamente a metade, 7 minutos e meio contados. Um filme que discute preconceitos sexuais, amorosos e emotivos entre israelenses e árabes. Muito bom, mereceu mesmo, mas não sei se o entusiasmo todo teve a ver com Lady Gaga, cuja “Bad Romance” toca nos créditos finais!

Por agora, vamos a três novas críticas: Um filme ótimo do veterano cineasta Olmi, a adaptação de “O Morro dos Ventos Uivantes” por Andrea Arnold, terceiro filme da cineasta duplamente premiada em Cannes, pelos seus anteriores “Red Road” e “Aquário”, mas cujos filmes nunca me agradou. Este achei bem feito, não pode dizer que é “ruim ruim” mas falta realmente uma mão boa. E um curta sobre carros do Saddam Hussein.

Tou aqui na fila, já gigante para o filme surpresa. Que é chinês todo mundo já sabe, agora qual filme é realmente, até agora, vou te dizer não descobri, talvez vocês aí até saibam melhor do que eu. Alguns falaram que era da China continental, outros de Hong Kong. Tentei um nome, mas não sabia se era do diretor ou do filme e não descobri nada. Mais tarde, Ferrera e talvez Mary Harron se tiver pique

Il Villagio di cartone (Itália) de Ermanno Olmi (7/10)

Ao contrário do filme do filme de Crialese, esse novo trabalho do veterano diretor italiano (Palma de Ouro com “A Árvore dos Tamancos”) é bem mais maduro e com uma visão mais completa sobre o problema não só da imigração ilegal, mas também como da presença e participação deles na sociedade, e em como a sociedade também pode moldar uma melhor vida para esses recém-chegados a Europa. É uma pena que não é esse o filme que está na Competição oficial.

No filme, um grupo de imigrantes ilegais chega numa igreja que tinha acabado de ser desativada, mas mesmo sem nenhum instrumento, o Padre que m0rava há 50 anos se recusa a sair. Ele decide acolher os imigrantes, mas desde o início alguns mostram que não estão com boas intenções na Europa.

A entrada da Igreja no filme, acaba ajudando tanto narrativamente, já que toda a ação passa a ser feita em interiores e isso agiliza muito, como também ajuda a expandir mais o tema principal. Claro que poderia ter piorado muito, mas a maneira que Olmi trata o assunto só faz melhorar. É interessante também que ninguém é visto puramente por ser bom ou ruim, coisas que atrapalharam muito o longa de Crialese.

Wuthering Heights (Reino Unido) de Andrea Arnold (5/10)

Ao final do filme me fiquei pensando: Pra que fazer uma nova versão de “O Morro dos Ventos Uivantes”? Sério! O livro é um clássico, mas nem só isso é desculpa: Já existe uma versão espetacular feita em 1939, além de sei lá quantas outras versões menos sucedidas. O que se espera é que se traga algo de novo à história, uma interpretação diferente, original. Mas ela não consegue transcender para algo além de ser uma meramente boa adaptação, um filme bem realizado.

É interessante que mostra bem como eles se conheceram e o filme trabalha bem com o fato de estar lidando com crianças na descoberta da sexualidade e do amor. Outra diferença positiva é o fato de que se utiliza mais da segunda parte do livro, geralmente negligenciada nas adaptações passadas, relatando o retorno de Heathcliff ao Morro e a vida adulta dos personagens.

A visão é moderninha, dando um frescor necessário, com muita câmera na mão, travelling, e uma fotografia meio digital, mas que consegue capturar bem as imagens de forma digital, com os pequenos borrões de fundo sempre nos lembrando. Mas acho que poucas pessoas percebem essa sutileza (vida de preservação…). As cores, justamente por serem muito monocromáticas, ajudam a compor um ar de desolação que o P&B fazia muito bem na versão de Wyller. Mas se nele, o som era importantíssimo, aqui tenta ser com uma captação dita natural, mas que não traduz bem na projeção, perdendo o impacto que tinha a versão antiga.

O problema é que isso só é alcançado formalmente, sem uma coragem maior da parte de Andrea Arnold de expor as personagens e atores, como fez bem em “Aquário”, seu segundo longa. Aqui apesar da tentativa de “indienização”, o que inclui uma música do Mumford & Sons junto dos créditos finais, o filme soa antigo ainda, uma mera adaptação mais livre cinematograficamente, mas que continua tendo a mesma visão das personagens que as outras.

Arnold também não consegue dar um tom adequado a Catherine da segunda parte. Ficamos perdidos se ela é uma pessoa apaixonada ainda por Heathcliff ou se ela já mudou de vida e ainda se apega a um amor de juventude, que talvez foi o maior de sua vida, o que é em parte culpa também da atuação ruim de Kaya Scodelario. O resto do elenco não faz nada demais, mas também. O filme em si se sustenta, mas é uma pena que uma grande chance de tentar algo além dos limites tradicionais foi perdida tão ordinariamente.

The Track of my Tears 2 (Suéciia) de Axel Petersén (curta) (5/10)

Curta meio bizarro sobre o destino dos carros de Saddam Hussein. Vários deles foram roubados após a ocupação americana e apareceram em vários países como Líbano, Turquia e outros europeus. Alguns, em especial sua Ferrari vermelha, porém, continuaram em Bagdá e viraram uma pequena lenda, sendo inclusive feitos jogos de vídeo-game em que ela era a protagonista. O filme não se alonga muito, nem explica direito a situação, só joga a história e nos deixa com curiosidade.

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