“Girimunho” decepciona em Veneza e o novo do Solondz

Ontem fiquei sem internet aonde estou hospedado e aproveitei para dormir uma horinha a mais… hoje, regado a Red Bull e enfrentando uma ventania bizarra vamos ver se consigo passar pelos cinco filmes do dia sem nenhum cochilo… Crítica dos 3 filmes de ontem que tinham ficado sem  escrever. Aliás, agora as 9h (Daqui a 45 minutos) passa o tal do filme surpresa que ainda não foi divulgado oficialmente mas deve ser mesmo o chinês. Mas só vou ver a tarde porque agora confiro o novo Olmi. Vou tentar essa manhã ainda lançar uma parcial de como tá a competição, os favoritos, etc…

Dark Horse (EUA) de Todd Solondz (5,5/10)

Um filme calcado nas imagens visuais e em sua estrutura não-linear, mas que através de sua comédia principalmente consegue passar com segurança por toda a trama. Aqui, Richard (Justin Bartha) é um cara gordão, de quase quarenta anos que ainda mora com os pais (Christopher Plummer e Mia Farrow) e vive como um adolescente. Trabalha na empresa ao qual o pai é o chefe e apesar de todos funcionários irem de terno e gravata, ele vai com camisas juvenis de frases. O seu quarto é cheio de pôsteres, bonecos. O visual é muito importante no filme, com cores estilo Hairspray, tudo muito forte, na sua cara, desde os figurinos até os papeis de parece.

Para piorar tudo ele ainda tem um irmão que sempre foi o favorito e bem sucedido da família. Sua sorte começa a mudar quando conhece uma mulher bem gata numa festa de casamento (Selma Blair) e acaba forçando um encontro com ela para a semana seguinte, apesar do total desinteressa dela.

Quando chegar aí no Brasil, seja em circuito (será?) ou no Festival do Rio e na Mostra de SP vou querer conversar melhor. O filme é um emaranhado de imagens vindas da cabeça do protagonista, recheadas de auto-crítica e um mundo imaginário em que por alguns momentos tudo dá certo na vida dele. Parece que Solondz resgata o mundo das idéias: A vida seria na verdade uma grande formulação cerebral, e esse espaço físico que ocupamos apenas um complementar para criar condição das idéias surgirem e serem apropriadas.

E ele quase faz o que seria para mim uma declaração genial sobre isso, no penúltimo plano.  Acho que o último plano, apesar de ainda possibilitar ainda essa interpretação que eu tive (falar mais seria spoiler, se alguém tiver interessado…) dilui um pouco, dando um final engraçadinho e não a beira do máximo do poético como parecia.

Se a estrutura cansa no início, depois vira peça fundamental daquele universo criado pelo diretor. Parece que o que acontece não tem a mínima importância a não ser para possibilitar a criação de idéias e universos paralelos. É quase uma declaração de vida para os nerds do mundo todo, como o protagonista: Continuem assim, apesar de que não terão um “futuro” muito bom, ainda é o jeito certo de se viver. Será que ele estava falando do cinema também, com suas cores bem fortes e um estilo quase televisivo dos anos 90? Não é a toa aliás as várias referências a sitcoms no início, com Plummer e Farrow assistindo-as na TV – exatamente como um daqueles canais de televisão. Bom, aí já pode ser uma viagem minha, mas…

Girimunho (Brasil, Espanha, Alemanha) de Clarissa Campolina, Helvécio Marins Jr. (4,5/10)

Assim como o outro representante brasileiro no Festival de Veneza, “Giramunho” trata de uma comunidade no interior do Brasil, aonde as relações são poucas e mais dependentes. Mas acaba tendo mais relação até com o documentário de Jonathan Demme, pois o principal enfoque do filme é a relação de Dona Bastu e sua neta, após a morte do seu marido. Elas vivem em São Romão, quase sertão em Minas Gerais, perto de São Francisco, e o que o mais a neta quer é sair da cidade pequena e estudar, causando uma diferença interessante entre a família brasileira e americana.

Os diretores perdem muito tempo com histórias da região, criando imagens poéticas e não se concentram na história interessante que teriam em mãos. Isso perde o fôlego do filme, e perde a chance de tratar de temas tão fortes como o embate entre lutar pelo seu sonho e ficar ao lado da família, o que pensando com um pouco mais de tempo, talvez seja o mais forte do filme do Demme.

Uma boa notícia, aliás, é que segundo a revistinha da Variety que circula aqui o filme já tem uma distribuidora internacional e tem vários festivais já agendados,só achei meio estranho o filme entrar em circuito, mesmo americano. Talvez a produtora esteja apostando numa indicação ao Oscar? O título internacional é “Swirl”, mesmo significado de Girimunho no português: Redemoinho.

“River Rites” (EUA/Suriname) de Ben Russell (curta) (6/10)

 

É engraçado como algumas pessoas não tem paciência para curtas. Talvez elas esperam que contem uma história como esquete de TV, ou sei lá o que. Só isso explica as vaias, que ok, foram isoladas, mas aconteceram no final de “Big River”. Não é um filme excepcional, de longe. Sua “narrativa” é muito simples: Um grupo de garotos entra na água num rio da Índia, algumas mulheres lavam roupa nele, etc. E no maio do filme, ele começa a voltar a fita, em velocidade real. Então quer dizer  que um rio não passa duas vezes pelo mesmo lugar?

As imagens são poéticas, em uma cor muito parecida com a resultada pelo technicolor e muitas vezes elas funcionam como imagens na velocidade real. O que está indo para frente, o que está indo para trás? Aquele mundo, filmado em 2011 é tão parecido com a Índia imortalizada por Ray nos anos 50, e talvez as mesmas tradições ocorram desde séculos e séculos atrás. Um filme bonito sobre o tempo, mas que se alonga um pouco apesar de ter 10 minutos.

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