Favoritos para o Leão de Ouro e o meu top10 na metade do Festival de Veneza

Alcançamos já a metade do festival. Dos 23 filmes em competição, já foram exibidos 12. Consegui ver quase todos, só perdi o filme de abertura, “The Ides of March”. Mas ainda assim é difícil apontar favoritos aqui em Veneza. Até porque o que importa no final é como vai pensar o júri, presidido por Darren Aronofsky, um cara meio estranho… Será que ele vai privilegiar filmes “psicológicos”? Certo é que até o momento foram 2 os filmes que mais empolgaram os críticos aqui em Veneza: “Shame” de Steve McQueen e “Himizu” de Shion Sono.

Antes, temos que lembrar que ao contrário de Cannes, só é dado um prêmio adicional pelo júri além do Leão de Ouro. Acho que “Shame” estaria na liderança no momento mas “Himizu” tem além de falar sobre um tema atual e importante, poderia ser um prêmio de carreira para Sono. A princípio, se os dois forem realmente os favoritos um ficaria com o Leão de Ouro e outro com o prêmio do Júri, mas temos que lembrar que existem ainda dois prêmios importantes: direção e roteiro e eles podem fazer a diferença.

Por que? “Himizu” é um filme que só existe por seu diretor. E isso pode fazer a grande diferença. Acho que se não for forte o suficiente para levar o prêmio principal, ficaria com o troféu de direção, para premiar a sagacidade do japonês que teve a coragem de mudar de última hora o tema do seu filme para lidar com questões atuais. Qual filme sobraria então para o prêmio do júri?

Ainda faltam 11 filmes, não podemos nos esquecer disso. Mas acho que a princípio os outros filmes mais bem avaliados são “The Ides of March” de George Clooney e “Carnage” de Polanski. Apostaria mais no último, até porque é a única unanimidade do  Festival, apesar de não receber elogios rasgados como “Shame”, foi o único que só recebeu 3 estrelas pra cima (de um total de 5) no quadro oficial do festival, composto por 20 críticos. Creio que a princípio um prêmio de roteiro poderia cair bem, mas o fato de ser adaptado complica. Prêmio especial de elenco?  Acho também difícil darem os dois prêmios principiais para filmes em língua inglesa, e o “Ides” é visto muito mais como típico de Oscar – então, vamos dar o amor de festival para o mais visceral e indie deles – justamente o filme de McQueen.

O filme grego “Alps” dividiu opiniões e claro que pode acabar ganhando alguma coisa, ainda mais um prêmio intermediário, especialmente direção. “Une été bruillant” não foi muito bem recebido, mas como Garrell tem uma legião de fãs, pode ser que alguém do júri tente lhe dar um prÊmio de direção, mas não vejo Aronofsky curtindo muito. Eu achei bem fraco o novo Crialese que também foi muito amado/ignorado, mas como é italiano e tem uma posição muito forte sobre um tema político importante.

Cronenberg não empolgou muito e sinceramente acho difícil levar alguma coisa. A atuação de Keira Knightley é típica “Oscar bait” e não deve ter frutos aqui. Michael Fassbender até poderia ganhar como ator, mas seria principalmente por “Shame” –e será que eles dividiram o prêmio pelos dois filmes? O menino de “Himizu” também considero forte candidato. Dentre os outros, talvez Christopher Waltz por “Carnage” e mais distante, Andy Lau por “A Simple Life”. Esse último aliás, é um típico prêmio de roteiro. Emocionante, fofo, mas que não tem uma assinatura forte, o que dificulta prêmios maiores.

“A Simple Life” também pode ganhar atriz, como as intérpretes de “Carnage” – prefiro Winslet, mas vai que querem dar um prêmio para ela e Foster? Carrie Mulligan seria uma long shot para atriz – acho que se alguém do elenco ganha é mesmo Fassbender.

Abaixo meu top10 do festival até o momento. Os filmes da competição estão em negrito e os outros que não alcançaram o top10 estão abaixo com suas respectivas notas. Os que não são da competição tem a mostra a qual fazem parte indicada do lado.

1-       “Cut” (JAP) de Amir Naderi (Orizzonti)

2-      “Shame” (RUN) de Steve McQueen (8,5)

3-      “Himizu” (JAP) de Shion Sono (8,5)

4-      “Histórias que só existem quando lembradas” (BRA/ARG/FRA) de Júlia Murat (Giornate degli autore)

5-      “Carnage” (FRA/ALE/POL/ESP) de Roman Polanski (8)

6-      “La Folie Almayer” (BEL/FRA) de Chantal Akerman (Fuori concorso)

7-      “Meteor” (ALE) de Christoph Girardet, Matthias Müller (Curta) (Orizzonti)

8-      “Marécages” (CAN/ALE) de Guy Édoin (Settimana della critica)

9-      “Tao jie” (“A Simple Life”, HKO) de Ann Hui (7)

10-   “La Désintégration” (FRA) de Philippe Faucon (Fuori concorso)

“A Dangerous Method” (RUN/ALE/SUI/CAN) de David Cronenberg (7)

“Alpis” (GRE) de Giorgos Lanthimos (7)

“Dark Horse” (EUA) de Todd Solondz (5,5)

“Tinker, Tailor, Soldier, Spy” (RUN/FRA) de Tomas Alfredson (4,5)

“Terraferma” (ITA/FRA) de Emmanuele Crialese (4)

“Poulet aux Prumes” (FRA/ALE) de Vicent Paronnaud, Marjane Satrapi (3,5)

“Saideke Balai” (“Warriors of the Rainbow”, TWN) de Wei Te-Sheng (3,5)

“Un été Bruillant” (FRA/ITA) de Philippe Garrel (2,5)

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