Uma declaração de amor ao cinema em “Cut”

Pela primeira vez o sono bateu no Festival. Na verdade, tive um erro de programação, fui com muita sede ao pote. Basicamente todos os filmes da competição liberados para a imprensa passam em sessões bem cedo (9h) e a noite (19h30), o que me obriga a ficar o dia inteiro aqui no Lido, que fica a cerca de 1h do albergue aonde estou. Hoje, ao contrário, só tinha um filme às 11h30 (“Poulet aux prunes” dos diretores de “Persepolis”), mas que iria ser reprisado as 17h. O primeiro filme que eu queria muito ver mesmo era “Cut” de Amir Naderi, que acabei de ver, aliás. Podia ter ficado dormindo, recarregar as energias (até porque hoje tem sessão de gala de “Sal” as 24h) mas acabei obviamente dormindo foi nos filmes. No primeiro dei umas piscadelas só, mas no tailandês foi quase um desastre. Mas o filme também era péssimo e enfim, foi parcialmente culpado.

Já estava meio desapontado com tudo, quando de repente “Cut” aparece na minha vida. Melhor filme do festival, um filme de amor ao cinema, em todas as possibilidades. Tem uma cena no túmulo do Ozu, em que não aguentei e chorei! E no final do filme, tudo acaba levando a uma declaração do protagonista (cineasta) sobre os 100 filmes mais importantes de sua vida. Quem me conhece bem, deve imaginar o êxtase que eu me encontrei nessa parte. Mas não é uma coisa boba de listas, de declarações, etc.

É um amor ao cinema que tenta ser mais do que diversão e não é por acaso que o Hollywood Reporter odiou. Tou tentando achar outras críticas, mas nada. Pena que filmes assim que discutem por bem ou por mal o papel do cinema não estejam na Competição Oficial. “Cut” é um desespero por parte do diretor, o iraniano Amir Naderi por aquele cinema japônes (e mundial) que se perdeu, apesar de eles mesmo declarar que tem coisas boas. É um grito de desespero emocionante. Fiquei em êxtase mesmo no final, tirei foto com Naderi e pedi pra ele a lista dos 100 melhores filmes (tentei copiar um pouco, mas acho que não consegui tudo). “Later, later”. É que depois teria o debate com ele, mas preferi tentar ver um filme em competição, dos diretores de “Persepolis”, esqueci o nome. Tá uma loucura, esgotado e vou tentar entrar aqui na fila de desistência, mas tem umas 20 pessoas na minha frente, acho difícil, até porque os guardas nem estão com discurso de “pode ser”, parece que nem vão checar mesmo se rola, só não vão deixar e pronto. Tou com medo agora de perder também o da Chantal Akerman, que é 21h30. Pelo menos, já garanti meu ingresso de “Sal” do James Franco que passa meia-noite.🙂

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s