Festival de Veneza 2011 – fim do segundo dia

30 horas em Veneza, 8 filmes… e tá só começando rs No final do dia tive uma decepção brava com o Philippe Garrel, e um dos melhores filmes do festival foi dirigido por outro Philippe, Faucon. Nos outros posts tem impressões, notas e comentários de todos filmes que vi no festival, como outros 2 da competição (o melhor até agora, “Carnage” de Polanski e um taiwanes meia-boca), um antigo do Rossellini, entre outros. Amanhã acho que vou perder o Cronenberg para ver uns obscuros. Mas tou doido para ver o filme sobre Freud…

 

“Un eté bruillant” (França/Itália/Suíça) de Philippe Garrel (2,5/10)

Quem é Louis Garrell? Do que sofre Monica Bellucci? Como apareceu o amigo? Por que eles são amigos? São umas perguntas que ficaram em minha mente no final do filme. Parece uma evocação de Bresson, mas não convence. O filme francês que prometia muito foi responsável pelas primeiras vaias fortes do festival (mas também teve a turma dos aplausos fortes). Me falaram que o problema era de personagens não-carismáticos, mas acho essa expressão ruim. Eles são é sem personalidade mesmo.

O novo filme de Garrell tenta seguir um caminho de planos super bem cuidados (com uma iluminação maravilhosa), para tentar traçar uma história da relação de dois casais de amigos. Mas é tudo tão artificial, tão bem cuidado, que o veterano cineasta perde a mão. A única cena que realmente funciona é uma lembrança de “Amantes Constantes”, a festa, com música original maravilhosa de John Cale, aliás. É uma cena que mostra como Garrell tem um domínio completo de mise-en-scéne e sabe aplicar.

Pena que aqui tudo fica meio jogado, vazio. O filme começa com Fréderic (Garrel) cometendo suicídio numa estrada a noite, enquanto vê um longo plano de Angèle (Bellucci) nua. Partimos então para o flashback que se segue, narrado por Paul (Jérôme Robart) que se entitula o melhor amigo. Vemos uma relação cada vez mais problemática de Paul e Angèle, e uma igualmente complicada de Paul e Élisabeth (Céline Sallette). Mas o cerne da relação nunca nos é mostrado. Os personagens são superficiais, somente corporais.

A relação de Bellucci com a igreja, na qual parece que finalmente vemos algo pertencente à ela e não como “escada” de Garrel parece que pode aprofundar mais, mas só piora talvez, culminando com uma cena próxima do ridículo no set de filmagens e outra justamente do lado de fora da igreja. Os timings dela parecem totalmente errados. Nunca achei ela uma boa atriz e aqui ela tem momentos em que funciona muito (a festa, a conversa seguinte), mas quando ela não entra em cena é um desastre, assim como Sallette.

Um filme que apesar do apuro técnico fenomenal, me deixou no vazio completo.

 

“La Désintégration” (França, de Philippe Faucon) (7,5/10)

Por enquanto um dos melhores filmes que passou no festival. Trata da questão do preconceito que os árabes e descentes sofrem na França (e toda Europa). Um dos irmãos de uma família já ajustada no “modo francês” não consegue emprego de jeito nenhum e tem certeza que é por conta de seu nome árabe, o que faz com que seja recrutado para um grupo extremista islâmico formado por amigos.

Toda a transformação da personagem principal é feita bem tranquilamente, sem pressa e funciona. A mãe, não achei aqui o nome dela, é a melhor atriz do filme, e é importante que o longa passe muito pelas emoções dela para que funcione. Ela é, no fim, uma mãe, tentando manter a família unida, o país unido, quem sabe.

2 Comments

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2 responses to “Festival de Veneza 2011 – fim do segundo dia

  1. Junia

    Curti as criticas!

  2. Pingback: Ranking do Festival de Veneza «

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