As estranhas escolhas de Tiago Fernandes

Tiago Fernandes e Guilherme Clezar são dois juvenis que traçaram carreiras sempre quase de modo paralelo. Como o mundo do tênis juvenil divide as categorias pelo ano de nascimento, Clezar, de Porto Alegre, sempre foi prejudicado, pois nasceu em 1992, mesmo que no dia 31 de dezembro, enquanto Fernandes, de Maceió, é de 29 de janeiro de 1993.

Guilherme explodiu mais cedo, no Roland Garros juvenil de 2009 chegou as quartas e sempre rondou o top20, além de conseguir uma final de future em Fortaleza no mesmo ano. Mas quem chegou ao estrelato primeiro foi Tiago Fernandes, que depois de uma quartas de final no US Open de 2009, conseguiu o primeiro brasileiro a levar um título de Grand Slam juvenil simples, no Australian Open. Treinado por Larri Passos, chegou ao número 1 do mundo alguns meses depois e com um hype imenso recebeu convite para a chave principal do ATP da Costa de Sauípe, o qual inteligentemente foi recusado. Se contentou com um wild card para o qualificatório e perdeu de lavada na primeira rodada.

No segundo semestre, Fernandes começou uma bem-sucedida perna nos challengers asiáticos, beirando o top500, antes de ter contusão e encerrar a temporada precocemente. Enquanto isso, Clezar era 764 do mundo. Depois de um início do ano meio morno, o alagoano surpreendeu a todos batendo o veterano Júlio Silva e chegando na final de um challenger em Pernambuco. Nem entrou em quadra na final de tantas dores que sentia.

Com o top400 garantido, passou a se aventurar em águas maiores, acertadamente. Disputou qualifyings de ATPs que geralmente tem favoritos fortes mas uma lista geral fraca e recebeu convite para challengers na europa. Perdeu todos na primeira rodada. Deveria ser a hora de voltar um pouco e jogar mais torneios futures, ganhar ritmo de jogo, como está fazendo Clezar. Atual número 503 do mundo, ganhou um future na semana passada, em Goiânia e agora em casa disputa outra final.

Como os torneios de future só contabilizam os pontos uma semana após o término da competição, nenhum desses pontos foi computado ainda. Nesta segunda-feira, ele terá 18 pontos adicionados aos seus atuais 56. Com 74 pontos, se garante por volta do 450º lugar. Com a final desta semana, ganhará mais 10 pontos e os 84 pontos lhe darão cerca de 30 posições a mais. Se vencer a final, que acontece hoje, se aproximará do top400.

Enquanto isso, Fernandes ignora completamente sua carreira profissional e volta ao circuito juvenil, disputando o Grand Slam parisiense como cabeça de chave 6. A única explicação é que ele desanimou de jogar torneios pequenos e quer novamente participar de um grande torneio. Mas o que ele ganhará, além de um pouco de dinheiro? Seria essa a razão? (Não que seja algo ruim, já que as premiações da ATP são extremamente injustas com os torneios menores).

Se vencer, será simplesmente algo esperado. Se perder afundará ainda mais sua moral. Poderia muito bem estar participando de alguns futures, mas sem perder a coragem de disputar qualifyings de ATPs, já que só jogando contra os grandes poderá melhorar seu estilo, além de que com o ranking cada vez mais alto, fica mais e mais difícil a escalada.

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Filed under Esporte, Tênis

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