They Shoot Pictures, Don’t They? #1 (1-25)

Então, o lance é o seguinte: Sim, eu já tenho mil projetos em andamento mas resolvi criar um novo… É assim, existe um site They Shoot Pictures, Don’t They? que a cada ano compila milhares de listas disponíveis de melhores filmes do ano / de todos os tempos, por críticos, instituições, etc, sejam as finais ou as individuais… De todo esse trabalho eles geram uma lista de 1000 melhores filmes de todos os tempos.

Toda lista é polêmica, claro que sabemos. Mas resolvi partir dela para fazer pequenos comentários, seja de uma frase (uma palavra) ou um ou dois parágrafos desses filmes meio fundamentais. E aproveitar para finalmente assistir os que não vi. Quem sabe isso vai me ajudar na monografia também (que lida um pouco com essa construção de cânone na história)… Há um perigo de chegar na lista de 2012 e eu ainda estar analisando os filmes dessa lista. Se isso acontecer, tudo bem, eu dou um jeito, mas já vamos descobrir pelo menos que ainda estou animado em seguir com o projeto.

A quantidade e a qualidade dos textos varia muito. Tem filme que eu vejo direto, e animo de falar muito e muito… Outros eu vi há mais de 5, 10, até 15 anos, nem sei direito o que falar. Nesses casos, tento valorizar a memória. Assinalo também, aonde a minha memória me permite, quantas vezes eu vi o filme e em que ano. Se foi no cinema o ano está em negrito…

Ao final de cada post, com 25 filmes cada um, postarei uma contagem de quantos filmes já vi, quantos no cinema, etc… E vamos lá, com o eterno (?) nº1…

TOP 1-25

1- Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941, EUA) de Orson Welles
NOTA 10. Visto 4 vezes, 1 no cinema (2001, 2002, 2005, 2007 Caixa Cultural, FBCU – Rio de Janeiro). O que falar mais sobre o filme? Revolucionário em sua narrativa, técnica, e possui uma importância ainda não reconhecida na política dos autores, na importância cada vez maior do roteirista/ator/diretor/produtor. Agnes Moorehead, como a mãe, destrói tudo em uma cena, e a arte constrói cenários presentes 100% na história, sejam os tetos antes não utilizados por Hollywood, um intrincado jogo de espelhos e como a maravilhosa janela que oprime Kane. Rosebud, o peso que todos carregamos na vida.

2- Um Corpo que Cai (Vertigo, 1958, EUA) de Alfred Hitchcock
NOTA 10. Visto 2 vezes (2001, 2002). Um dos primeiros clássicos vistos, paixão de imediato. A revisão o confirmou como um dos filmes favoritos do mestre, mas os 9 anos sem rever não me permitem fazer uma avaliação precisa. Pode reaparecer como top10 facilmente. Me impressionou como criança, a obsessão de Stewart em reconstruir a mulher de seus sonhos – e mais importante, a submissão pela qual Kim Novak passa, quase um pornô autoritário. Ah e a cena da igreja, claro, na qual Hitchcock demonstra claramente seus traumas religiosos.

3- A Regra do Jogo (La Regle Du Jeu, 1939, FRA) de Jean Renoir
NOTA 9,5. Visto 1 vez (2002). Não lembro muito, mas me fascinou aquela divisão de classes e o modo em que Renoir filma os personagens.

4- 2001 – Uma Odisséia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968, RUN) de Stanley Kubrick
NOTA 10. Visto 3 vezes (2001, 2004, 2008). Na primeira vez vi dublado na TNT – seguido de “2010” e achei bacana. Na segunda, acabou comigo, com tudo o que eu sabia da vida. É um filme que preciso ver no cinema. O sentido da vida, de nossa existência, no monolito que resume, mas nada explica? A viagem mais psicodélica da sétima arte!

5- O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972, EUA) de Francis Ford Coppola
NOTA 10. Visto 3 vezes (2001, 2003, 2008 Palácio, Festival do Rio – Rio de Janeiro). Prefiro o segundo, mas o primeiro tem uma aura enorme. Brando, as cenas na Itália, Gordon Willis, a transformação de Al Pacino, ele e Diane Keaton fazendo compras de natal em Nova York, e acima de tudo talvez a trilha de Nino Rota.

6- Fellini Oito e Meio (Otto e Mezzo, 1963, ITA) de Federico Fellini
NOTA 9. Visto 2 vezes (2002, 2009). Visto pela primeira vez, se tornou meu filme favorito. Numa revisão, não funciona tão bem, mas ainda assim genial ode à loucura, ao improviso, à experiência de vida para transformá-la em arte.

7- Os Sete Samurais (Shichinin no Samurai, 1954, JAP) de Akira Kurosawa
NOTA 6. Visto em 2004. Na minha época áurea de Tempos Modernos, queria escrever um texto sobre os 50 anos do filme no início de 2004. Seria uma oportunidade de finalmente assistir ao grande clássico. Me decepcionou, não passando de mais um filme bom, mas sem conseguir se conectar comigo em nenhum nível mais profundo.

8- Rastros de Ódio (The Searchers, 1956, EUA) de John Ford
NOTA 7,5. Visto em 2003. Curti mas nem tanto, quando vi. Não consigo gostar de John Wayne, impossível.

9- Cantando na Chuva (Singin’ in the Rain, 1952, EUA) de Gene Kelly, Stanley Donen
NOTA 10. Visto 9 vezes (2001, 2001, 2001, 2001, 2001, 2002, 2004, 2005, 2006). Meu primeiro caso de amor com o cinema. Não conseguia parar de ver e hoje sinto que preciso de uma revisão urgentemente. As músicas são lindonas. Gene Kelly, mais sexy do que nunca, Debbie Reynols com uma beleza escultural, e Donald O’Connor em uma forma incrível. Filme mais bem animado da história!

10- Encouraçado Potemkin (Bronenosets Potyomkin, 1925, URS) de Sergei M. Eisenstein
NOTA 8,5. Visto 3 vezes (2002, 2009 Cinemateca do MAM – Rio de Janeiro, 2010 Teatro Verdi, La Giornate del Cinema Muto, Pordenone). Um filme poderoso com cenas inesquecíveis, como a da carne e da escadaria de Odessa, mas que deixa a desejar especialmente no início e no final.

11- Era uma Vez em Tóquio (Tôkyô monogatari, 1953, JAP) de Yasujirô Ozu
NOTA 10. Visto 4 vezes (2008, 2009 Caixa Cultural, Cinema Japonês – Rio de Janeiro, 2010, 2010 CCBB, Mostra Yasujirô Ozu – Rio de Janeiro). O filme mais lindo sobre relações pais-filhos, geração antiga-moderna, valores, o dia-a-dia, independência, apego e amor.

12- Aurora (Sunrise: A Song of Two Humans, 1927, EUA) de F. W. Murnau
NOTA 10. Visto 2 vezes (2007, 2009 Cinemateca do MAM – Rio de Janeiro, 2009 Mostra Murnau no CCBB). Não curti tanto na primeira vez, mas na segunda veio com toda força. A maior declaração de amor ao amor na história.

13- Lawrence da Arábia (Lawrence of Arábia, 1962, RUN) de David Lean
NOTA 9,5. Visto 1 vez (1999). Poderia ser 10 se eu lembrasse melhor do filme. Tenho quase certeza que seria 10 se eu visse no cinema. Aliás, anotação: rever em widescreen é obrigatório.

14- Ladrões de Bicicletas (Ladri di Biciclette, 1948, ITA) de Vittorio De Sica
NOTA 9. Visto 1 vez (2002). Poderoso, mas se a memória não falha, um pouco didático no engajamento. Mas a personagem infantil e sua relação com o pai e o mundo ao seu redor é maravilhosamente explorada por De Sica.

15- O Poderoso Chefão 2 (The Godfather: Part II, 1974, EUA) de Francis Ford Coppola
NOTA 10. Visto 1 vez (2001). Al Pacino num carro em Cuba. Vi com 14 anos e essa imagem é a mais marcante para mim, mas seria de bom tom uma revisão. A chegada de De Niro e todo seu subplot é incrível, assim como os problemas matrimoniais de Al Pacino e Diane Keaton, que começam logo na primeira cena. E o beijo da morte consegue ser equivalente, se não mais poderoso que a morte de Brando.

16- Casablanca (Casablanca, 1943, EUA) de Michael Curtiz
NOTA 9. Visto 3 vezes (2001, 2002, 2007). Foi um dos filmes com o qual eu comecei minha educação cinéfila e não entendi tanto alarde. Hoje, já percebo melhor as sutilezas e brincadeiras dos diálogos. Acho que poderia ser 9,5 talvez. Mas o destaque continua sendo o romance mal fadado de Bogart e Bergman. A dor, o passado e a memória.

17- O Atalante (L’Atalante, 1934, FRA) de Jean Vigo
NOTA 7,5. Visto 1 vez (2009). Taí um filme que eu não consigo curtir. Até acho o cinema do Vigo bonito, mas não consigo me envolver muito bem. As cenas de Paris são bonitas assim como o clima geral de uma vida num espaço tão literalmente claustrofóbico.

18- Rashomon (Rashômon, 1950, JAP) de Akira Kurosawa
NOTA 8. Visto 1 vez (2004). Vi no computador, o que obriga a uma revisão, mas me lembro de ficar mais impressionado pela mise en-scène do que pela estrutura do filme, que enjoa um pouco no final.

19- Touro Indomável (Raging Bull, 1980, EUA) de Martin Scorsese
NOTA 7,5. Visto 1 vez (2006). As cenas de boxe são impressionantes, mas um pouco exageradas, não precisavam ter tantas.

20- A Paixão de Joana D’Arc (La Passion de Jeanne d’Arc, 1928, FRA) de Carl Theodor Dreyer
NOTA 9,5. Visto 1 vez (2002). Me impressionou muitissimamente, mas confesso ficar curioso para rever depois de conheçer a versão do Bresson.

21- A Marca da Maldade (Touch of Evil, 1958, EUA) de Orson Welles
NOTA 10. Visto 2 vezes (2002,2008 Odeon, Rio de Janeiro) Cena inicial sublime, Janet Leigh no auge, fotografia fantástica, especialmente na cena da tortura, antevendo o que veríamos em “O Processo”. Welles sabendo melhor do que nunca como usar sua persona e uma deliciosa participação de Marlene Dietrich.

22- A Grande Ilusão (La Grande Illusion, 1937, FRA) de Jean Renoir
NOTA 8. Visto 2 vezes (2002, 2007 Cine Paissandu – Rio de Janeiro) Um belo libelo anti-guerra, mas que me parece datado. Não consigo enxergar as genialidades através do diálogo (típico filme considerado obra-prima que me parece mais válido falar o que não gostei do que as inúmeras coisas positivas…).

23- Quanto Mais Quente Melhor (Some Like it Hot, 1959, EUA) de Billy Wilder
NOTA 10. Visto 4 vezes (2002, 2003, 2008 Cinemateca do MAM – Rio de Janeiro, 2010). Uma comédia perfeita que sabe respeitar seu ritmo. Lemmon em sua melhor forma, Monroe mais linda possível, um preto e branco elegante, Curtis imitando Cary Grant o mais charmosamente possível e uma das frases finais mais provocadoras do cinema.

24- Luzes da Cidade (City Lights, 1931, EUA) de Charles Chaplin
NOTA 10. Visto 3 vezes (2001, 2002, 2005). Meu primeiro e para sempre favorito Chaplin. Humor na medida certa, mas o grande acerto vem no final mais amargo e honesto da história do cinema – o qual não percebi na primeira vez.

25- A Doce Vida (La Dolce Vita, 1960, ITA/FRA) de Federico Fellini
NOTA 9,5 Visto 2 vezes (2002, 2010). Curti bem mais da segunda vez. Personagens inseguros, perdidos andando por aí, sem saber direito o que fazer, a quem recorrer, com qual motivo. Curtindo Roma, os palácios, a vida. “Marcello, come here, hurry up!”. Mais encantador, impossível.

Filmes vistos: 25/25 (100%) – TOTAL = 25/25 (100%)

Filmes vistos no cinema: 8/25 (32%) – TOTAL = 8/25(32%)

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