Le Petit Soldat (1963, Godard)

“Pour moi, le temps de l’action a passé. J’ai vieilli. Le temps de la réflexion commence”.

 

Captura de Tela 2017-07-29 às 21.16.10

Captura de Tela 2017-07-29 às 21.16.23

Advertisements

2 Comments

Filed under Uncategorized

Notas sobre “Personal Shopper”

Olivier Assayas parece estar apaixonado por Kirsten Stewart. Só assim para explicar como ele pode ter feito esse filme, inteiramente a propósito de criar uma personagem principal feita sob medida para a atriz de seu filme, que repete e intensifica os tiques e caretas que lhe valeram um Cesar de atriz coadjuvante por “Acima das Nuvens”. Eu não tinha gostado dela lá, mas aqui acho que faz um sentido.

Mais do que uma história sobrenatural, é uma trama de forte caráter psicológico. Talvez tenha faltado um certo cuidado e apuro maior ao transformar essa jornada de aparente loucura mental da protagonista em um estudo mais elaborado e universal. Do jeito que ficou todas as estranhezas do filme (as trocas de mensagens, os copos de vidro, etc), parecem apenas brincadeiras com o espectador.

É aí que pode estar outra chave de leitura do filme: Seria “Personal Shopper” um filme sobre o cinema? As evidências para sustentar isso estão aqui e ali: o jeito que  a câmera discretamente se afasta da cama quando Stewart começa a se masturbar; como ela “segue” o fantasma? Um travelling precisa seguir alguém narrativamente ou pode se ocupar de um espírito (das coisas? – me lembro dos travellings aparentemente sem sentido em “Cuidado com uma puta santa” de Fassbinder)?  E é notável o uso de aparelhos audiovisuais que Assayas faz uso. Qualquer coisinha que é discutida, a protagonista vai procurar no google e no youtube. Em um mundo dominado por imagens em movimento, como acreditar naquilo que não se vê?

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Contos de Primavera

 

Quando se tem 17 anos (Quand on a 17 ans, 2016, FRA) Dir: André Téchiné

André Téchiné é um cineasta que entrou no meu imaginário – e talvez na história do cinema – com uma delicada história da descoberta do amor e da sexualidade em meio a uma cidadezinha francesa nos anos 1960. A comparação com “Les roseaux sauvages” (1994) é inegável aqui: novamente temos dois meninos jovens descobrindo seus sentimentos um pelo outro.

De novo, nada é como se parece e o cineasta possui uma sensibilidade eficaz em transformar histórias que facilmente poderiam cair em um padrão “conto erótico” em contos universais sobre o desejo, amor e lamentações.

O filme é um tanto esquemático e acaba atrapalhando um pouco a fluidez das cenas. Téchiné e seu diretor de fotografia colocam a câmera colada ao rosto dos atores contrastando com amplas vistas de uma cidade na montanha; são raros os planos fixos, o que nos deixa mais próximo desses personagens. Os jovens atores são um dos principais responsáveis pelo sucesso do filme, especialmente Kacey Motttet Klein que exprime muito bem o estado de ebulição em que vive sua personagem. Sandrine Kiberlain também é uma presença iluminada como a mãe dele.

O filme, porém, sofre de algo que tenho percebido muito entre cineastas mais velhos: uma certa inabilidade de entender como os jovens vivem e se interagem hoje em dia. Longe de mim em querer estipular uma regra de conduta ou imaginar que todas pessoas em todos lugares do mundo vivam da mesma maneira. E é louvável e perceptível a presença de Céline Sciamma no roteiro, certamente contribuindo muito para um olhar adolescente do qual o filme é impregnado. Mas a sensação autobiográfica, clara e evidente no filme de 1994, persiste. Ainda que elementos contemporâneos estejam no filme para fazer a história andar (as conversas com o pai militar pelo skype, o cara mais velho do site de encontros, ligações de socorro, etc), ainda é aquela história de amor, desejo e saudades típica dos anos 1990 e mesmo 1960.

Outras pequenas coisas incomodam, como o fato do protagonista praticamente usar a mesma camisa na segunda parte do filme e a trama que parecia não respirar por si só, seguindo caminhos traçados por um esquema narrativo pré-determinado. Na última cena, em que uma personagem corre registrado por uma câmera frenética e com o burquinense Victor Démé na trilha, algo fresco parece ter brotado subitamente, mas já era tarde.

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Previsões para o Oscar e comentários dos filmes indicados

Seguem minhas previsões para o Oscar com rápidos comentários dos filmes vistos (32 de 46 longas e 2 de 15 curtas). Abaixo, mini-resenhas de um parágrafo dos filmes indicados, em ordem alfabética a partir do título em inglês e com uma nota aproximada entre colchetes.

 

O ataque a “La La Land” se intensificou nas últimas semanas, mas será suficiente para retirar  algum prêmio importante, como roteiro original (que nem é tão favorito assim?), atriz ou mesmo filme? De qualquer maneira vou tomar um sonho que tive como premonitório e prevejo doze estatuetas para o filme.

 

Como nota paralela, me parece que este Oscar mostra cada vez o abismo entre o mercado exibidor e público, e como cada vez mais ele mesmo parece perder as rédeas em relação ao futuro da sala de cinema. Um dos favoritos ao Oscar (“Moonlight”) estreia apenas três dias antes da cerimônia e vários filmes concorrendo nas principais categorias, incluindo um fque pode levar duas estatuetas principais (“Fences”) ainda nem chegaram aos cinemas brasileiros. Praticamente um convite ao download.

nocturnalanimals14925

Amy Adams em “Animais Noturnos” de Tom Ford.

FILME: La La Land, produzido por Fred Berger, Jordan Horowitz e Marc Platt (1)

 

Algumas pessoas acham que “Moonlight” pode surpreender aqui, mas acho que já é tarde demais. “La La Land” e o filme escapista tecnicamente bom parece perfeito para  Oscar de filme.

 

Minha ordem de preferência dos indicados : 1- Moonlight; 2- Manchester by the Sea; 3- Lion; 4- Hell or High Water; 5- La La Land 6- Fences; 7- Hidden Figures; 8- Arrival; 9- Hacksaw Ridge

 

ATOR: Denzel Washington, Fences (1)

 

Infelizmente, a performance histriônica de Washington deve prevalecer sobre a contida de Affleck. Uma pena mesmo. E uma pena que Garfield tenha entrado pelo filme horroroso de Gibson e não por “Silence” de Martin Scorsese. Única categoria em que provavelmente “La La Land” não tem chances de vencer: Ryan Gosling (em filme clássico-narrativo) não dá.

 

Minha ordem: 1- VIggo Mortensen, “Captain Fantastic”; 2- Casey Affleck, “Manchester by the Sea”; 3- Andrew Garfield, “Hacksaw Ridge”; 4- Denzel Washington, “Fences”; 5- Ryan Gosling, “La La Land”

 

ATRIZ: Emma Stone, La La Land (2)

 

Voltamos a quatro anos atrás, quando Jennifer Lawrence surgiu como grande favorita e parecia que Emmanuele Riva poderia causar uma surpresa. A campanha de Isabelle Huppert tem sido forte e pode se aproveitar da queda de “La La Land”, mas acho que Stone é muito queridinha para perder. Aliás, prefiro Huppert em “O que está por vir” / “L’avenir”, seu outro grande lançamento do ano. Muito se falou da ausência de Amy Adams aqui, mas eu senti muito mais a falta de Annette Benning. Uma pena, pois a interpretação de Meryl Streep é apenas protocolar num filme bem raso.

 

Minha ordem: Isabelle Huppert, “Elle”; 2- Natalie Portman, “Jackie”‘; 3- Ruth Negga, “Loving”; 4- Emma Stone, “La La Land”; 5- Meryl Streep, “Florence Foster Jenkins”.

 

ATOR CD: Mahershala Ali, Moonlight (1)

 

Parece garantido o oscar a Mahershala. Dev Patel seria a única concorrência. Se “Manchester” for muito amado, Lucas Hedges pode surpreender.

 

Minha ordem: 1- Lucas Hedges, “Manchester by the Sea”; 2- Mahershala Ali, “Moonlight”; 3- Dev Patel, “Lion”; 4- Jeff Bridges, “Hell or High Water”; 5- Michael Shannon, “Nocturnal Animals”.

 

ATRIZ CD: Viola Davis, Fences (2)

 

Em algum momento Michelle Willams tem que ganhar um Oscar. Mas esse é o ano de Viola Davis, claramente principal e que “trocou” de categoria, como muitos e muitas já fizeram. A categoria de atuação mais forte deste Oscar.

 

Minha ordem: 1- Michelle Williams, “Manchester by the Sea”; 2- Naomi Harris, “Moonlight”; 3- Viola Davis, “Fences”; 4- Nicole Kidman, “Lion”; 5- Octavia Spencer, “Hidden Figures”.

 

DIRETOR: Damien Chazelle, La La Land (3)

 

Categoria estranha com três filmes bem mal dirigidos aqui. Torcendo para que uma surpresa aconteça e mesmo com “La La Land” levando filme, Barry Jenkins saia vencedor aqui.

 

Minha ordem: 1- Barry Jenkins, “Moonlight”; Kenneth Lonergan, “Manchester by the Sea”; 3- Damien Chazelle, “La La Land”; 4- Dennis Villeneuve, “Arrival”; 5- Mel Gibson, “Hacksaw Ridge”.

 

ROTEIRO OR: Damien Chazelle, La La Land (4)

 

Uma das estatuetas menos certas para “La La Land”, e “Manchester by the Sea” é o favorito. Temos ainda os roteiros espertinhos de “The Lobster” e autobiográfico cool de “20th Century Women”.

 

Minha ordem: 1- Mike Mills, “20th Century Women”; 2- Kenneth Lonergan, “Manchester by the Sea”; 3- Yorgos Lanthimos, Efthimis Filippou, “The Lobster”; 4- Taylor Sheridan, “Hell or High Water”; 5- Damien Chazelle, “La La Land”.

 

ROTEIRO AD: Barry Jenkins, Moonlight (2)

 

“Moonlight” parece sem nenhuma competição aqui, felizmente.

 

Minha ordem: 1- Barry Jenkins, Tarell Alvin McCraney, “Moonlight”; 2- Luke Davies, “Lion”; 3- August Wilson, “Fences”; 4- Allison Schroeder, “Hidden Figures”; 5- Eric Heisserer, “Arrival”.

 

MONTAGEM: Tom Cross, La La Land (5)

 

“Moonlight” tem disparada a melhor montagem, mas “La La Land” deve levar.

 

1- Nat Sanders, Joi McMillon, “Moonlight”; 2- Jake Roberts, “Hell or High Water”; 3- Joe Walker, “Arrival”; 4- Tom Cross, “La La Land”; 5- John Gilbert, “Hacksaw Ridge”.

 

FOTOGRAFIA: Linus Sandgreen, La La Land (6)

 

“Lion” ganhou o prêmio do Sindicato dos Fotógrafos, mas “La La Land” segue favorito.

 

Minha ordem: 1- Greig Fraser, “Lion”; 2- James Laxton, “Moonlight”; 3- Bradford Young, “Arrival”; 4- Linus Sandgreen Lion, “La La Land”. NÃO VI: Rodrigo Prieto, “Silence”.

 

ANIMAÇÃO: Zootopia, produzido por Byron Howard, Rich Moore, Clark Spencer

 

Enquanto “Zootopia” é o favorito especialmente após a vitória no Annie,  não é amplamente adorado então imagino que outros filmes possam se aproveitar e surpreender, especialmente “Moana”.

 

Minha ordem: 1- Moana; 2- Kubo and the Two Strings; 3- Zootopia.

NÃO VI: My Life as a Zucchini, The Red Turtle.

 

FILME ESTRANGEIRO: O Apartamento, Irã, Asghar Farhadi

 

Em uma categoria historicamente estranha, Toni Erdmann conseguiu uma vaga entre os cinco e é o franco favorito; por isso acho que vai perder, só espero que não seja para o candidato bobinho e pseudohumanista dinamarquës. Provavelmente vai dar “O Apartamento” em um momento político da noite.

 

Minha ordem: 1- Toni Erdmann; 2- A Man Called Ove; 3- Land of Mine

NÃO VI:, O Apartamento, Tanna

 

DIREÇÃO DE ARTE: David Wasco (production design), Sandy Reynolds-Wasco (set decoration), La La Land (7)

 

“La La Land” ganhou o prêmio do sindicato para filmes contemporâneos. “Hidden Figures” que venceu na categoria de filme histórico não foram indicado, aumentando a chance do filme. “Passanger”, vencedor como melhor filme de fantasia pode surpreender.

 

Minha ordem: 1- Jess Gonchor, Nancy Haigh “Hail, Caesar!”; 2- Patrice Vermette, Paul Hotte, “Arrival”; 3- David Wasco, Sandy Reynolds-Wasco, “La La Land”.

NÃO VI: Stuart Craig, “Fantastic Beasts and Where to Find Them”; Guy Hendrix Dyas, Gene Serdena, “Passengers”.

 

FIGURINO: Mary Zophres, La La Land (8)

 

“Hidden Figures” e “Doctor Strange”, vencedores do Sindicato de Figurinistas como melhor filme histórico e de fantasia não foram indicados, deixando “La La Land” (melhor filme contemporâneo) como amplo favorito. “Fantastic Beats” ou “Jackie” podem surpreender.

 

Minha ordem: 1- Madeline Fontaine, “Jackie”; 2- Mary Zophres, “La La Land”; 3- Consolata Boyle, “Florence Foster Jenkins”;

NÃO VI: Joanna Johnston, “Allied”; Colleen Atwood, “Fantastic Beasts and Where to Find Them”.

 

MAQUIAGEM: Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini, Christopher Nelson, “Suicide Squad”.

 

“Suicide Squad” venceu melhor maquiagem em filme histórico ou fantasia no Sindicato dos maquiadores. “Nocturnal Animals” venceu em melhor filme contemporâneo mas não está indicado, como “La La Land” (cabelos em filmes contemporâneos) ou “Hail, Caesar!” (cabelos em filmes de fantasia ou históricos. “Star Trek Beyond” levou o prêmio de melhor efeitos de maquiagem e pode surpreender, mas como a maquiagem de “Suicide Squad” é mais evidente, mudei minha previsão de última hora. “Ove” é o segundo filme sueco a aparecer aqui de forma consecutiva.

 

Minha ordem: 1- Joel Harlow, Richard Alonzo, “Star Trek: Beyond”; 2- Eva von Bahr, Love Larson, “A Man Called Ove” / “En man som heter Ove”.

NÃO VI: Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini, Christopher Nelson, “Suicide Squad”.

 

TRILHA ORIGINAL: Justin Hurwitz, La La Land (9)

 

A trilha experimental de Mica Levi mereceria muito ganhar, mas me parece impossível apostar contra “La La Land”.

 

Minha ordem: Mica Levi, “Jackie”; 2- Dustin O’Halloran, Hauschka, “Moonlight”; 3- Justin Hurwitz, “La La Land”; 4- Nicholas Britell, “Moonlight”.

NÃO (OU)VI: Thomas Newman, “Passangers”.

 

CANÇÃO ORIGINAL: Justin Hurwitz (música), Benj Pasek e Justin Paul (letras) “City of Stars”, La La Land (10)

 

Se eu fosse um eleitor do Oscar, incluiria um peso que a música tem no filme. Assim, a música de Sting é bonita mas é apresentada nos créditos finais sem nenhuma relação forte com o filme.  ainda não ouvi as outras três músicas indicadas, esperando para ver os filmes. De qualquer modo, é barbada: “City of Stars” é linda e é a melhor cena do filme e tem cara que vai sobreviver muito mais tempo do que o filme.

 

Minha ordem: 1- Justin Hurwitz (música), Benj Pasek e Justin Paul (letras) “City of Stars”, do filme “La La Land”; Lin-Manuel Miranda, “How Far I’ll Go” do filme “Moana”; 3- Justin Hurwitz (música), Benj Pasek e Justin Paul (letras) “Audition (The Fools Who Dream)” do filme “La La Land”; 4-  J. Ralph, Sting, “The Empty Chair” do filme “Jim: The James Foley Story”.

NÃO (OU)VI: Justin Timberlake, Max Martin, and Karl Johan Schuster (Shellback), “Can’t Stop the Feeling!” do filme “Trolls”,

 

SOM: Andy Nelson, Ai-Ling Lee, Steven Morrow, La La Land (11)

 

“La La Land” venceu o prêmio dos sindicatos e no Oscar então só deve perder se os eleitores quiserem aproveitar as categorias menores para premiar filmes queridos, como “Hacksaw Ridge”.

 

Minha ordem: 1- Bernard Gariépy, “Arrival”; 2- Andy Nelson, Ai-Ling Lee, Steve A. Morrow, “La La Land”; 3- Kevin O’Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie, Peter Grace, “Hacksaw Ridge”.

NÃO VI: David Parker, Christopher Scarabosio, Stuart Wilson, “Rogue One: A Star Wars Story”; Gary Summers, Jeffrey J. Haboush, and Mac Ruth, “13 Hours: The Secret Soldiers of Benghazi”.

 

EDIÇÃO DE SOM: Ai-Ling Lee, Mildred Iatrou, La La Land (12)

 

Minha ordem: 1- Sylvian Bellemare, “Arrival”; 2- Ai-Ling Lee and Mildred Iatrou Morgan, “La La Land”; 3- Robert Mackenzie, Andy Wright, “Hacksaw Ridge”.

NÃO VI: Wylie Stateman, Renée Tondelli, “Deepwater Horizon”; Alan Robert Murray, Bub Asman, “Sully”.

 

EFEITOS ESPECIAIS: Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones, Dan Lemmon, The Jungle Book (1)

 

Ainda que eu não tenha visto “Rogue One”, parece difícil tirar o prêmio de “The Jungle Book” que levou cinco prêmios do Sindicato.

 

Minha ordem: 1- Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones, Dan Lemmon, “The Jungle Book”; 2- Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean, Brad Schiff, “Kubo and the Two Strings”.

NÃO VI: Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington, and Burt Dalton, “Deepwater Horizon”, Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli, Paul Corbould, “Doctor Strange”; John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel, and Neil Corbould, “Rogue One: A Star Wars Story”

 

DOCUMENTÁRIO: Ezra Edelman, Caroline Waterlow, O.J.: Made in America (1)

 

Com tanto documentário político sobre questões raciais, criminais e de migração, vejo muito como a Academia pode acabar privilegiando por vontade ou por divisão de voto “Life, Animated”, que não por coincidência celebra a indústria do entretenimento. De qualquer maneira, imagino que seja difícil ignorar “O.J.” e acho que só perde se os membros comparassem desfavoravelmente com a minissérie.

 

Minha ordem: 1- Ezra Edelman, Caroline Waterlow, “O.J.: Made in America”; 2- Gianfranco Rosi, Donatella Palermo, “Fire at the sea” / “Fuocoammare”; 3- Ava DuVernay, Spencer Averick, Howard Barish, “13th”; 4- Roger Ross Williams, Julie Goldman, “Life, Animated”.

.

NÃO VI: Raoul Peck, Rémi Grellety, and Hébert Peck, “I Am Not Your Negro”.

 

CURTA DE ANIMAÇÃO: Piper – Alan Barillaro and Marc Sondheimer

CURTA DOCUMENTÁRIO: Extremis: Dan Krauss

CURTA DE FICÇÃO, NÃO-ANIMAÇÃO: La femme et le TGV, Timo von Gunten, Giacun Caduff

 

20th century.jpg

“Mulheres do Século XX” de Mike Mills, meu filme favorito entre aqueles que receberam ao menos uma indicação ao Oscar deste ano.

COMENTÁRIOS:

 

13 hours

 

A 13ª emenda (13th, 2016, EUA) de Ava DuVernay [7,5]

 

Filme muito interessante, complexo, que explora as origens e consequências do crescimento do número de pessoas encarceradas nos Estados Unidos. O grande problema é um certo didatismo que perpassa o filme. Nunca pareceu tão ruim viver no país quanto nas duas horas de filme.

 

Mulheres do Século 20 (20th Century Women, 2016, EUA) de Mike Mills [8,5]

 

Mais complexo que “Beginners”, o longa apresenta um painel de personagens extremamente ricos, dando margem não só a situações interessantes, mas a reflexões profundas sobre a condição humana. A pitada existencialista é leve, mas o sabor fica por um bom tempo depois da sessão. Annette Benning e Greta Gerwig estão estupendas, e o estilo godardiano de Mills é saboroso, ao incluir narrações em off, visões do passado e do futuro auxiliadas por fotomontagem.

 

A Chegada (Arrival, 2016, EUA) de Denis Villeneuve [4]

 

Além do final tenebroso, o filme todo é muito raso em sua defesa da linguagem, em todas suas formas, como instrumento para a paz e entendimento entre a humanidade.

 

Capitão Fantåstico (Captain Fantastic, 2016, EUA) de Matt Ross (8)

 

Tem momentos irritantes, mas essa fantasia hippie consegue se sobressair como um irmão pobre de “Into the Wild”. Viggo Mortensen é a alma do filme, mas todo o elenco está ótimo. A parte final é especialmente ótima e consegue fechar bem todos as questões do filme, até de maneira mais realista, e evitando qualquer mensagem.

 

Deepwater Horizon

Doctor Strange

 

Elle (Elle, 2016, FRA/ALE/BEL) de Paul Verhoeven

 

Isabelle Huppert não pára. Igualmente talentosa e apenas quatro anos mais nova que Meryl Streep, a pisciana Isabelle está sempre em busca de novos diretores, novos desafios em seus papeis. Aqui ela trabalha pela primeira vez com Verhoeven, criando um perfil psicológico e comportamental maravilhoso, ainda que em vários momentos o filme pareça tão manipulador quanto sua protagonista – e talvez por isso seja tão delicioso e atraente.

 

Animais Fantásticos e Onde Habitam (Fantastic Beasts and Where to Find Them, 2016, RUN/EUA) de David Yates [4,5]

 

Não que seja exatamente um filme ruim,mas me parece bastante desnecessário: se baseia completamente no carisma de Eddie Redmayne e apresenta muitas sugestões de temas, mas sempre caindo no mais-esperado, como toda a concepção da personagem de Colin Farrell.

 

Um Limite Entre Nós (Fences, 2016, EUA) de Denzel Washington [4]

 

Duas boas atuações e um roteiro com toques de drama shakespeariano não fazem um bom filme. VIola Davis, mais contida, está melhor que o histriônico Denzel Washington que dirige num piloto automático a transição da peça para o filme. A certa artificialidade que pode ter funcionado nos palcos passa batida no audiovisual.

 

Florence: Quem É Essa Mulher (Florence Foster Jenkins, 2016, RUN) de Stephen Frears [3,5]

 

Meryl Streep e Stephen Frears, o que aconteceu com vocês? Um filme absolutamente irritante, feito para deliciar senhorinhas no cinema de arte mais perto de você. Streep pisando fundo no piloto automático e Hugh Grant parece já ter perdido o rumo da carreira.

 

Fogo no mar (Fuocoammare, 2016, ITA/FRA) de Gianfranco Rosi [7]

 

Um documentário muito interessante e impactante a respeito da crise de refugiados. Risi sabe que não pode se colocar no poder de fala dos imigrantes africanos e árabes então coloca Samuele, 12 anos e um médico como seus representantes, explorando o abismo entre o dia-a-dia dos habitantes da pequena cidade de Lampedusa e aqueles tentando iniciar uma nova vida.

 

Até o Último Homem (Hacksaw Ridge, 2016, AUS/EUA) [2,5]

 

Um filme praticamente nojento, com personagens absolutamente artificiais, situações unidimensionais e uma mensagem patriótica enaltecendo a grandeza dos valores norte-americanos. Faz sentido ter recebido tantas indicações.

Ave, César (Hail, Caesar!, 2016, RUN/EUA/JAP) de Ethan Coen, Joel Coen [6,5]

 

Um produto típico dos irmãos Coen, mas falta uma unidade que dê ao filme um sabor especial. São muitas esquetes, e algumas funcionam melhor que as outras. Frances McDormand prova novamente ser uma excelente comediante (e atriz); Tilda Swinton e Alden Ehrenreich são outros destaques, além de todo a parte técnica (fotografia, figurino, direção de arte, etc).

 

A Qualquer Custo (Hell or High Water, 2016, EUA) de David Mackenzie

 

Outra tentativa de modernizar o gênero western, com boa participação de Jeff Bridges, mas sem nenhum destaque especial. O filme se perde um pouco em sua tentativa de construir várias histórias paralelas com todas as personagens.

Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, 2016, EUA) de Theodore Melfi [4,5]

 

Um filme bem padrão, buscando heroizar suas personagens. Uma época traumática para os Estados Unidos e que por isso sempre se faz necessário para Hollywood tratar dela, mas com uma certa leveza e humor (ao contrário dos vários documentários lançados sobre o tema no ano passado ou mesmo os filmes de Spike Lee). Boas atuações, um certo ritmo escondem uma história banal e previsível, apresentando uma grande mensagem de paz e união nacional em prol de um objetivo comum (no caso, a conquista do espaço pela Nasa).

 

I Am Not Your Negro: Raoul Peck, Rémi Grellety, Hébert Peck

 

Jackie (Jackie, 2016, CHL/EUA/FRA) de Pablo Larraín [7]

 

Longe de ser uma biopic convencional, Larrain promove um fascinante estudo de celebridade, presa em uma esfera privada. Acompanhada por uma câmera frenética e uma maravilhosa trilha sonora experimental, Natalie Portman brilha em sua construção de uma Jackie fragilizada mas que ainda assim reúne forças para ajudar a sedimentar o legado de Kennedy.

 

Jim: The James Foley Story (Jim: The James Foley Story, 2016, EUA) de Brian Oakes [6,5]

 

Sem dúvidas é um documentário chapa branca, destinado a emocionar os espectadores com a história de um homem que morreu tragicamente e ao invés de ter sua vida desperdiçada pode inspirar outros com seu legado. Apesar de tudo, é interessante e as vezes revelador; as imagens de arquivo são obviamente o destaque, mas as entrevistas com os que conheceram Foley seja em liberdade ou no cativeiro revelam facetas inesperadas.

 

Mogil: O Menino Lobo (The Jungle Book, 2016, RUN/EUA) de Jon Favreau [5,5]

 

O mais interessante do filme é sem dúvida a relação entre Mogli (Neel Sethi) e os animais, de uma maneira que não. De resto, nada de novo na história já clássica, apenas boa diversão.

 

Kubo e as Cordas Mágicas (Kubo and the Two Strings, 2016, EUA) de Travis Knight [5]

 

A animação é muito bonita, mas sem apresentar qualquer traço original e o filme parece seguir um padrão para filmes de animação, com personagens bem definidas, e uma narrativa já estabelecida.

 

La La Land: Cantando Estações (La La Land, 2016, EUA) de Damien Chazelle [4,5]

 

O que dizer de “La La Land” depois de tanta discussão? É um filme bem realizado, mas qual era a intenção? Os números musicais são em sua maioria bem fracos, Emma Stone é adorável e incrível, mas Ryan Gosling não sai de sua atuação-Ryan-Gosling e a direção é errática, assim como a fotografia com suas cores in-your-face evocando os musicais dos anos 1950 e 1960, mas com movimentos de câmera forçados. É um filme conservador, sobre o velho sonho hollywoodiano, mas o final até que é interessante, se você aguentar chegar lá.

 

Terra de Minas (Under sandet, 2015, DIN/ALE) de Martin Zandvliet [5,5]

 

Um filme bem emotivo, apresentando um lado desconhecido da Segunda guerra mundial. Ainda que seja bem realizado, por vezes cai em um sentimentalismo barato. Outro tipo de filme em que as relações humanas superam inimizades políticas, um filme triste mas esperançoso.

 

Life, Animated (Life, Animated, 2016, EUA) de Roger Ross Williams [6]

 

Um belo documentário, ainda que bem tradicional, sobre um jovem autista cuja relação com o mundo exterior se faz através dos filmes da Disney. Um filme que no fundo é sobre o poder do cinema, do audiovisual, na vida das pessoas. Ainda assim, é interessante que o irmão questiona um pouco a vida “artificial” apresentada peor Disney, mas questões mais profundas permanecem não levantadas. Neste aspecto, é interessante que no final Owen consegue um trabalho como recepcionista de um multiplex.

 

Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion, 2016, EUA/AUS/RUN) de Garth Davis  [7]

 

Um filme estranho, irregular, mas com momentos ótimos, especialmente nas cenas filmadas na Índia e em alguns momentos específicos, como quando memórias da infância atingem a personagem de Dev Patel. Nicole está ótima, canalizando um pouco a Virginia Woolf de 15 anos atrás.

 

The Lobster (The Lobster, 2015, IRL/RUN/GRE/FRA/HOL/EUA) de Yorgos Lanthimos

 

Visto há mais de um ano, não me recordo exatamente dos detalhes, mas lembro de ter curtido, ainda que algumas coisas especificas relacionadas à sociedade distópica pareçam detalhes bobos para construir o “filme grego estranho”. De qualquer maneira, o desenvolvimento do filme é inteligente e sobrevive a qualquer reducionismo, fazendo uma esperta crítica à sociedade contemporânea.

 

Loving (Loving, 2016, EUA) de Jeff Nichols [7]

 

Mais um filme da safra “precisamos lembrar da nossa história” que tomou conta do cinema norte-americano lembrado pelo Oscar este ano. Talvez seja o melhor das ficções, ao focar em uma história aparentemente pequena, mas que ganha proporções além das personagens. Ruth Negga e Joel Edgerton tem atuações incríveis e transformam um roteiro básico e uma direção conservadora (algo inesperado considerando a filmografia de Nichols) num belo libelo humanista.

 

A Man Called Ove / Um Homem Chamado Ove (En man som heter Ove, 2015, SUE) de Hannes Holm [6]

 

Um filme bacana, com momentos divertidos, mas sem nada de realmente especial. Mais uma história humanista a respeito de um velho rabugento (que no caso tenta a cada dez minutos se matar) e que se reconecta com a vida do jeito mais inesperado.

 

Manchester À Beira-Mar (Manchester by the Sea, 2016, EUA) de Kenneth Lonergan [7,5]

 

O longa cresceu bastante comigo depois da sessão. Um filme bem bonito sobre a solidão humana e a insistência em perseguir um caminho que já se provou ser infrutífero. Casey Affleck carrega o filme nas costas construindo uma personagem solitária e incapaz de se relacionar com as pessoas a sua volta ou mesmo questionar os rumos de sua vida. Lucas Hedge e Michelle Williams estão impressionantes: Muito difícil encontrar uma personagem adolescente tão complexa no cinema (especialmente o norte-americano) quanto à criada por Hedges e Williams ilumina todas as cenas em que aparece. Ainda assim é um filme que de certa maneira parece contente em se manter num estado de inércia – tal como o protagonista – e não se atreve a buscar algo além, em criar algo de especial ou único para sua trajetória. Um filme discreto, porém muito eficiente.

 

Moana: Um Mar de Aventuras (Moana, 2016, EUA) de Ron Clements, Don Hall, John Musker, Chris Williams [6,5]

 

Convencional filme que lembra alguns belos filmes da Disney dos anos 1990 ou ainda um  “Frozen”, sem a questão sexual que o elevava além do esperado. Os números musicais aqui são incríveis, as personagens interessantes, fotografia inspirada, mas não passa disso.

 

Moonlight: Sob a Luz do Luar (Moonlight, 2016, EUA) de Barry Jenkins [7,5]

 

Um filme bem direto, cuja narrativa clássica se aproveita de uma direção precisa. Três atos bem definidos para a construção de uma personagem complexa e perseguida. O final que poderia ir para tantos caminhos, entre eles o brega ou o melodramático é de uma pureza impressionante, bem impactante mesmo. Naomie Harris e Mahershala Ali apresentam ótimas atuações, mas para mim o destaque é Ashton Sanders, interpretando o protagonista em sua fase adolescente. Assim como “Manchester”, outro retrato interessante da adolescência norte-americana.

 

My Life as a Zucchini / Ma vie de Courgette: Claude Barras, Max Karli

 

Animais Noturnos (Nocturnal Animals, 2016, EUA) de Tom Ford [8]

 

Ainda que seja longe de “A Single Man”, sua sublime estreia, Tom Ford consegue criar uma narrativa absurdamente elegante sobre o ato de narrar e suas consequências. Amy Adams está maravilhosa, destaque de um elenco no tom correto (com destaque para Michael Shannon) e o final é perfeito. A fotografia é um dos destaques do filme, geralmente captando as personagens em closes generosos.

OJ: Made in America (OJ: Made in America, 2016, EUA) de Ezra Edelman [8,5]

 

Um filme de outra liga, com suas quase oito horas de duração e seu painel sobre as questões raciais que perpassa e ajuda a construir toda a história dos Estados Unidos. O filme não tem vergonha de apresentar seu caso: O.J. Simpson matou a esposa e o amigo dela e escapou da prisão por todo o contexto social que existia na época. Bela pesquisa de imagens de arquivo, entrevistas elucidativas costurados perfeitamente.

 

Passengers

The Red Turtle / La tortue rouge: Michael Dudok de Wit, Toshio Suzuki

Rogue One: A Star Wars Story

The Salesman / O Apartamento / Forushande Iran

Silence

 

Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek Beyond, 2016, EUA/HKO/CHN) de Justin Lin [5]

 

Um filme bem padrão, sem nada realmente excitante. Bem realizado, com uma certa historinha xis para passar o tempo, construída corretamente, mas nada  que não é visto cem vezes por ano. Atores todos no piloto automático.

 

Suicide Squad

Sully

Tanna

Trolls

 

Toni Erdmann (Toni Erdmann, 2016, ALE/AUT/SUI/NOR) de Maren Ade [8]

 

Um filme longo, mas a direção de Maren Ade mantem o espectador sempre a espera da próxima cena. Seja nos bastidores do capitalismo global ou nos momentos de respiro asfixiante pelas ruas de Bucareste, um conto de pai e filha bem especial. Uma protagonista complexa, sempre tentando algo que parece ao mesmo tempo ser da mais suma importância para ela e um desperdício de energia (e até mesmo de humanidade) para seu pai. O filme não toma lados e ao construir uma realidade tão estranha, descaracterizada de sentimentos – e justamente por isso tão real – quando tal universo é escancarado na parte final, tudo é igualmente assustador, cômico e natural.

Zootopia (Zootopia, 2016, EUA) de Byron Howard, Rich Moore, Jared Bush [5]

 

Um filme um tanto esquecível que segue a fórmula de humanizar animais e transformar tudo em lição de vida, ainda que possua um ritmo interessante e que consegue divertir.

 

CURTAS

 

4.1 Miles: Daphne Matziaraki

 

Blind Vaysha / Vaysha, a Cega (Vaysha, l’aveugle, 2016, CAN) de Theodore Ushev [7,5]

 

Um belo curta, sobre memória, emocionante mas sem exagero. Consegue explorar bem as possibilidades narrativas da animação.

 

Borrowed Time: Andrew Coats, Lou Hamou-Lhadj

Ennemis intérieurs: Selim Azzazi

Extremis: Dan Krauss

Joe’s Violin: Kahane Cooperman, Raphaela Neihausen

La femme et le TGV: Timo von Gunten, Giacun Caduff

Pear Cider and Cigarettes: Robert Valley, Cara Speller

Pearl: Patrick Osborne

Piper: Alan Barillaro, Marc Sondheimer

Silent Nights: Kim Magnusson, Aske Bang

Sing / Mindenki: Kristóf Deák, Anna Udvardy

 

Timecode (Timecode, 2016, ESP) de Juanjo Giménez [4,5]

 

Um filme bem banal, buscando apenas as emoções mais primárias, como diriam alguns: a humanidade que pode ser salva através da dança e dos sentimentos mais puros.

 

Watani: My Homeland: Marcel Mettelsiefen, Stephen Ellis

The White Helmets: Orlando von Einsiedel, Joanna Natasegara

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Melhores filmes de 1919

 

1- Horizonte Sombrio (Way Down East, 1920, EUA) de D. W. Griffith

2- Depois da Tempestade (Das wandernde Bild, 1920, ALE) de Fritz Lang 

3- O Testamento de Maciste (Il testamento di Maciste, 1920, ITA) de Carlo Campogalliani

4- O Gabinete do Dr. Caligari (Das Cabinett des Dr. Caligari, 1920, ALE) de Robert Wiene

5- As Aranhas, parte 2 – O Navio dos Diamantes (Die Spinnen, 2. – Das Brillantenschiff, 1920, ALE) de Fritz Lang 

6- O Monastério de Sendomir (Klostret i Sendomir, 1920, SUE) de Victor Sjöström

7- Poison Mood (La Serpe, 1920, ITA) de Roberto Roberti

 

Menção Especial: Reminiscências (1920, BRA) de Aristides Junqueira [curta]

Ator: Conradt Veidt, O Gabinete do Dr. Caligari

Atriz: Lilian Gish, Horizonte Sombrio

Fotografia: Horizonte Sombrio

Montagem: O Cabinete do Dr. Caligari

Mutt and Jeff in the Movies (Mutt and Jeff in the Movies, 1920, EUA) de Charles Bowers (4)

 

TOP10 do RYM:

 

1- O Gabinete do Dr. Caligari |#193|

2- Uma Semana (One Week, 1920, EUA) de Edward F. Cline, Buster Keaton |#641| [não visto]

3- The Penalty (The Penaly, 1920, EUA) de Wallace Worsley |#2245| [não visto]

4- O Espantalho (The Scarecrow, 1920, EUA) de Edward F. Cline, Buster Keaton |#2909| [não visto]

5- Neighbors (Neighbors, 1920, EUA) de Edward F. Cline, Buster Keaton |#3357| [não visto]

6- O Golem (Der Golem, wie er in die Welt kam, 1920, ALE) de Carl Boese, Paul Wegener |#3617| [não visto]

7- Horizonte Sombrio |#4341|

8- O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde, 1920, EUA) de John Robertson |#5238| [não visto]

9- A Quarta Aliança da Sra. Margarida (Prästänkan, 1920, SUE) de Carl Theodor Dreyer |#6155| [não visto]

10- Convict 13 (Convict 13, 1920, EUA) de Edward F. Cline, Buster Keaton |#8235| [não visto]

11- O Último dos Moicanos (The Last of Mohicans, 1920, EUA) de Clarence Brown, Maurice Tourneur |#8622| [não visto]

12- Man of the Sea / O Homem do Largo (L’homme du large, 1920, FRA) de Marcel L’Herbier [não visto]

13- The Swallow and the Titmouse / A Andorinha e a Abelharda (L’ hirondelle et la mésange, 1920, FRA) de André Antoine [não visto]

14- A Marca do Zorro (The Mark of Zorro, 1920, EUA) de Fred Niblo [não visto]

15- Ma fille est somnambule (High and Dizzy, 1920, EUA) de Hal Roach [não visto]

16- Quel numéro demandez vous? (Number, please?, 1920, EUA) de Hal Roach Fred C. Newmeyer

17- When We Are Married (Erotikon, 1920, SUE) de Mauritz Stiller

18- Ana Bolena (Anna Boleyn, 1920, ALE) de Ernst Lubitsch

19- Pour le coeur de Jenny (An Eastern Westerner, 1920, EUA) de Hal Roach

20- Genuine: A Tale of a Vampire (Genuine, die Tragödie eines seltsamen Hauses, 1920, ALE) de Robert Wiene

22- As Aranhas, parte 2 – O Navio dos Diamantes

26- O Monastério de Sendomir

33- Depois da Tempestade

86- Poison Mood

Leave a comment

Filed under Uncategorized

Considerações a respeito das eleições norte-americanas

Quase uma semana já se passou depois da eleição norte-americana mas ainda vale a pena comentar algumas coisas, especialmente depois da entrevista dada a Lesley Stahl, que foi ao ar no último domingo no programa 60 minutes, da CBS. Alguns fatos, curiosidades, observações de início:

  • Das últimas sete eleições norte-americanas, o candidato republicano só ganhou no voto popular em 2004, e isso quando George W. Bush era super criticado pela Guerra do Iraque, que começava a se tornar o grande fardo da política norte-americana. Em 2000 Al Gore teve 48,4% contra 47,9% de George W. Bush, mas perdeu no colégio eleitoral: 271 versus 267.
  • Desta vez, Hilary Clinton ganhou no voto popular (47,7% x 47,5%, mas teve derrota acachapante no colégio eleitoral: 306 a 232). Isso se explica principalmente pelos 2,5 milhões de votos a mais que conquistou na Califórnia.
  • Em 2000, Gore venceria a eleição com uma vitória em qualquer um dos estados em que a eleição foi apertada: New Hampshire (diferença de 1,27%), Missouri (3,34%), Ohio (3,51%), Nevada (3,55%), Tennessee (3,88%) ou claro, os meros 537 votos de diferença na Florida.
  • Desta vez, Clinton ficou 38 votos aquém, o que implica que ela precisaria de uma  combinação de resultados, já que Texas (exatamente 38 delegados) continua fora da disputa para os democratas. 5 estados viram Trump vencer com menos de 5% de vantagem: Arizona (11 delegados, diferença de 4,4%), Florida (29, 1,27%), Pennsylvania (20, 1,24%), Winsconsin (10, 0,93%) e Michigan (16, 0,27%).
  • Muito se falou nos republicanos que não votariam em Trump (como os presidentes George H Bush e George W Bush), mas as pesquisas de boca de urna apontaram ele foi o escolhido entre 90% dos republicanos contra 7% destes eleitores que preferiram Hilary; Já entre os democratas, apenas 89% votaram na candidata derrotada enquanto 9% votaram em Trump.
  • 52% dos que responderam os questionários declararam que a economia era o principal tema na hora de depositar o voto: neste grupo, Hilary ganhou bem (52% a 42%). Interessante que 13% declararam que política internacional era o principal assunto em suas mentes (e claro que Hilary levou essa turma com 60% contra 34%), mas iguais 13% estavam mais preocupados com imigração e estes ajudaram a eleição de Trump: 64% a 34%

A partir disso tudo fica a questão: o que faltou a Clinton? Obviamente ela não poderia ter perdido em três estados que votavam democrata desde 1992: Michigan, Pennsylvania e Wisconsin (este desde 1988 ainda que George W. Bush quase o levou nas duas eleições). Se Hilary tivesse ganho na Florida, apenas um desses estados precisaria ter “virado”.

Mais do que pensar matematicamente é importante agora tentar entender o que levaram as pessoas a votar em Donald Trump, especialmente em uma eleição que muitas forças minoritárias, oprimidas e tradicionalmente democratas compareceram em peso às eleições. Ou seja para cada latino, negro, imigrante, etc que foram as urnas na Flórida, foi um outro americano que se incomoda com a presença destes em seu dia-a-dia. Ou simplesmente: estes grupos que eram considerados avassaladoramente democratas ajudaram na eleição de Trump. A quantidade de latinos que votou no Trump foi bem grande: 29% contra 65%, eleitores de Clinton (contra 27% a 71% em 2012): eles não se preocupam com o que o presidente eleito possa fazer com os recém chegados ao país: é a lógica do “eu lutei, eu venci, me proteja”. O outro que ainda está lutando não merece uma proteção ou incentivo. Enfim, vitória do individualismo. Entre os negros, Trump teve mais votos do que Mitt Romney (8% a 88%, contra 6% a 93% em 2012).

Foi o ponto alto de uma campanha que reuniu duas das figuras mais odiadas da política norte-americana. Os democratas ignoraram que a figura de Hilary não levaria os eleitores a apioá-la massivamente. Bernie Sanders deve estar secretamente feliz – mas publicamente irado e já apoiou as manifestações anti-Trump. Elizabeth Warren, a outra líder progressista já fez vários discursos se perguntando onde os democratas erraram.

Enquanto isso, Trump já se aproxima dos principais líderes republicanos numa clara tentativa de se proteger de um potencial impeachment à la Dilma: sem apoio da base congressista ele sabe que não irá muito longe. Ou ele se transforma em um novo Reagan ou sabe que terá poucas chances em 2020 e pior, sairá com uma imagem completamente manchada.

Muitos perguntam se isso pode acontecer em outros países, como Brasil (em 2018) ou França (em 2017). O fato é que de certa maneira os dois países apontam uma falha em ter novos nomes para estimular tanto o eleitorado liberal ou conservador. Em São Paulo a vitória de João Dória tanto serve como um estímulo a Geraldo Alckmin como uma prova que assim como os trumpistas, os brasileiros acham que o sistema eleitoral está corrompido e os atuais congressistas e poderosos distantes do povo. Isso pode acabar atrapalhando o próprio Alckmin e também os candidatos ultraconservadores como Bolsonaro. A ver se alguma figura midiática (Joaquim Barbosa, Sérgio Moro, Henrique Meirelles, algum apresentador de televisão ou técnico olímpico…)  consiga reunir forças e vencer a eleição ou se apresentar como uma figura viável, da maneira como Marina Silva não conseguiu.

É importante lembrar que Trump desafiou primeiro todo o establishment republicano vencendo as primárias de seu partido a contragosto dos figurões. No Brasil é impossível conquistar um voto popular internamente. O PSDB cogitou fazer isso em 2014 mas não é comum aqui a filiação ou registro em um partido, como acontece nos EUA, limitando qualquer votação aos same old caciques.

Já na França, não vejo Marine LePen com muitas condições de ultrapassar 40% de votos. Mais provável que o colapso do Partido Socialista aumente e haja uma união no segundo turno em nome de algum candidato dos Republicanos. Pela primeira vez haverá uma primária aberta. O primeiro turno acontecerá dia 20 de novembro e o segundo turno dia 27, provavelmente entre o ex-presidente Nicolas Sarkozy e o ex-ministro das relações exteriores, Alain Juppé, grande favorito. Entre os socialistas, François Hollande ainda não decidiu se concorre, o que a meu ver não faz sentido algum para um presidente com popularidade tão baixa. Assim, abriria a vaga para Manuel Valls, atual primeiro-ministro. Ou seja, nada de novo no front.

Leave a comment

Filed under Política

28 dias para as XXVIII Olimpíadas: 28 fatos marcantes #1

Parece que era ontem que eu entrava em algum site desses estranhos de previsão. A disputa entre Rio de Janeiro, Chicago, Madri e Tóquio era intensa. Chicago e Tóquio em especial pareciam os favoritos: o primeiro tinha Obama e o segundo era considerado o melhor projeto. Mas inesperadamente, Rio e Madri foram para a final e aí não teve para ninguém: o carisma brasileiro e a Era Lula foram mais que suficientes para garantir que as primeiras olimpíadas em solo sul-americano seriam aqui. Era 2009 e eu devo ter chorado muito. Esperava anos de prosperidade para a cidade e para o esporte brasileiro.

 

Nada disso rolou, mas cá estamos: será minha sexta olimpíada. Nestas cinco olimpíadas vividas e uns 20 anos de pesquisas, leituras e assistir a filmes olímpicos, cada dia me convence que as Olimpíadas são as coisas mais sublimes já inventadas por um homem. E o registro audiovisual delas então, nem se fala…

 

Portanto aqui vou tentar postar em vídeo os meus 28 momentos favoritos das Olimpíadas. Nem todos tem suas imagens registradas então será um desafio, mas vamos lá (e não terei nenhum pudor em por uma imagem fixa no lugar rs).

 

 

O meu Momento #1 envolve duas maneiras: patriotismo e surpresa. O patriotismo é uma coisa estranhíssima. Eu acabo torcendo para atletas de todo o mundo, mas se tem algum brasileiro ali bate uma torcida enorme. O meu lado racional pensa no desenvolvimento do esporte a partir de uma medalha de ouro nacional. Me lembro de todos aqueles “Histórias do Esporte” assistidos na ESPN Brasil, com pessoas sofridas nos rincões mais perdidos desse país imenso. Não sei explicar. Só sei me emocionar.

E foi isso o que eu senti naquele início de tarde do dia 29 de agosto de 2004. Tinhamos vencido no vôlei o quarto ouro, recorde, o que tinha ajudado um pouco a fraca campanha geral: 9 medalhas no total. A maratona era protocolar, já rolava uma certa nostalgia e preparação para a cerimônia de encerramento. Mas de repente, lá pelo meio dia e meia (Atenas era 6h depois), um brasileiro se mantinha no pelotão de elite. Já tinha visto muitas provas em olimpíadas, mundiais e pan: Alguém está lá na frente e vai perdendo ritmo. No caso, Vanderlei de Lima, bicampeão panamericano, 1999-2003, mas sem nenhum tipo de destaque mundial.

Mas maratona é um pouco loteria: E alguns favoritos foram caindo pelo caminho. Vanderlei surgiu como líder aos 20km, seguiu aos 25km, 30km e 35m, com 42 segundos de vantagem. A vantagem estava caindo, mas aí surgiu aquele incidente bizarro: o ex-padre louco irlandês invade a estrada, o derruba. O que parecia tão possível, tão provável tem um fim.  Ainda que o italiano estivesse se aproximando, provavelmente a disputa pelo ouro só aconteceria no final. Com a queda, logo aos 37-38km, Stefano Baldini vira líder. MAs ele ainda consegue se manter e levar o bronze. A cobertura ao vivo da ESPN Brasil é muito boa pondo tudo em perspectiva. E o video acima conta a trajetória dos dois principais protagonistas da história, Baldini e Lima.

Chorei um bocado na época, acho que ainda muito motivado pela adrenalina. Mas quando estive no Estádio Panatinaikos, em novembro de 2011, palco do bronze do Vanderlei e de tantas outras façanhas heróicas e olímpicas, não adiantou: chorei muito. Hoje, 12 anos depois de tudo, tantas olimpíadas, tantas lutas, vitórias e derrotas pessoais, ainda volto às imagens e choro muito.

TODAS_FOTOS_DO_MUNDO01454

 

 

Leave a comment

Filed under Uncategorized