28 dias para as XXVIII Olimpíadas: 28 fatos marcantes #1

Parece que era ontem que eu entrava em algum site desses estranhos de previsão. A disputa entre Rio de Janeiro, Chicago, Madri e Tóquio era intensa. Chicago e Tóquio em especial pareciam os favoritos: o primeiro tinha Obama e o segundo era considerado o melhor projeto. Mas inesperadamente, Rio e Madri foram para a final e aí não teve para ninguém: o carisma brasileiro e a Era Lula foram mais que suficientes para garantir que as primeiras olimpíadas em solo sul-americano seriam aqui. Era 2009 e eu devo ter chorado muito. Esperava anos de prosperidade para a cidade e para o esporte brasileiro.

 

Nada disso rolou, mas cá estamos: será minha sexta olimpíada. Nestas cinco olimpíadas vividas e uns 20 anos de pesquisas, leituras e assistir a filmes olímpicos, cada dia me convence que as Olimpíadas são as coisas mais sublimes já inventadas por um homem. E o registro audiovisual delas então, nem se fala…

 

Portanto aqui vou tentar postar em vídeo os meus 28 momentos favoritos das Olimpíadas. Nem todos tem suas imagens registradas então será um desafio, mas vamos lá (e não terei nenhum pudor em por uma imagem fixa no lugar rs).

 

 

O meu Momento #1 envolve duas maneiras: patriotismo e surpresa. O patriotismo é uma coisa estranhíssima. Eu acabo torcendo para atletas de todo o mundo, mas se tem algum brasileiro ali bate uma torcida enorme. O meu lado racional pensa no desenvolvimento do esporte a partir de uma medalha de ouro nacional. Me lembro de todos aqueles “Histórias do Esporte” assistidos na ESPN Brasil, com pessoas sofridas nos rincões mais perdidos desse país imenso. Não sei explicar. Só sei me emocionar.

E foi isso o que eu senti naquele início de tarde do dia 29 de agosto de 2004. Tinhamos vencido no vôlei o quarto ouro, recorde, o que tinha ajudado um pouco a fraca campanha geral: 9 medalhas no total. A maratona era protocolar, já rolava uma certa nostalgia e preparação para a cerimônia de encerramento. Mas de repente, lá pelo meio dia e meia (Atenas era 6h depois), um brasileiro se mantinha no pelotão de elite. Já tinha visto muitas provas em olimpíadas, mundiais e pan: Alguém está lá na frente e vai perdendo ritmo. No caso, Vanderlei de Lima, bicampeão panamericano, 1999-2003, mas sem nenhum tipo de destaque mundial.

Mas maratona é um pouco loteria: E alguns favoritos foram caindo pelo caminho. Vanderlei surgiu como líder aos 20km, seguiu aos 25km, 30km e 35m, com 42 segundos de vantagem. A vantagem estava caindo, mas aí surgiu aquele incidente bizarro: o ex-padre louco irlandês invade a estrada, o derruba. O que parecia tão possível, tão provável tem um fim.  Ainda que o italiano estivesse se aproximando, provavelmente a disputa pelo ouro só aconteceria no final. Com a queda, logo aos 37-38km, Stefano Baldini vira líder. MAs ele ainda consegue se manter e levar o bronze. A cobertura ao vivo da ESPN Brasil é muito boa pondo tudo em perspectiva. E o video acima conta a trajetória dos dois principais protagonistas da história, Baldini e Lima.

Chorei um bocado na época, acho que ainda muito motivado pela adrenalina. Mas quando estive no Estádio Panatinaikos, em novembro de 2011, palco do bronze do Vanderlei e de tantas outras façanhas heróicas e olímpicas, não adiantou: chorei muito. Hoje, 12 anos depois de tudo, tantas olimpíadas, tantas lutas, vitórias e derrotas pessoais, ainda volto às imagens e choro muito.

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Vitórias e derrotas

Paratodos (2016, BRA) de Marcelo Mesquita

 

“Paratodos” tem muitos ingredientes para ser um típico filme de superação banal: em primeiro lugar é um filme sobre esportes de alto nível em que alguns milímetros de segundo podem determinar o sucesso ou o fracasso de uma campanha de quatro anos; em segundo lugar, retrata pessoas com algum tipo de deficiência física que precisam superar a dificuldade do dia-a-dia, o preconceito e as vezes um embate interno travado com as limitações do próprio corpo.

É um filme bem regular, que busca ser acessível enquanto trata seus personagens com respeito até demais. São quatro blocos: no primeiro acompanhamos os atletas de atletismo; depois os representantes da canoagem; em seguida a seleção nacional de futebol de cinco (para cegos) e encerra com a natação.

Especialmente na primeira parte, o filme perde um pouco a linha: a trilha sonora exagera e a montagem extrapola os altos e baixos da vida de um atleta. É estranhamente, também, a parte em que menos explica didaticamente como funciona o desporto paralímpico. As muitas categorias do atletismo são um tanto homogeneizadas sob a luz dos holofotes nos grandes estádios.

Não a toa é a categoria mais exibida na televisão, mais comentada e cujos vencedores são mais rapidamente transformados em estrelas, como foi o caso de Ádria dos Santos, primeira estrela paralímpica do Brasil, após os dois ouros (e prata) nas Paralimpíadas de Sidnei em 2000.

Paratodos-1

Porém, quando o foco passa aos outros esportes, o registro mais naturalista ganha chão e um filme mais interessante surge. Sejam nas histórias divertidíssimas da equipe de futebol de cinco ou ainda nas dificuldades inerentes ao esporte paralímpico, que luta para ser justo com atletas das mais variadas limitações. A classificação funcional que existe nos esportes é bem discutida nas partes de canoagem e natação, ainda que o velho discurso de injustiça seja sempre reiterado e salvo algumas exceções os atletas se imaginam lutando contra forças maiores.

Esse talvez seja o principal problema do filme: muito dependente dos seus personagens, mesmo que sejam todos muito interessantes (cada um a seu modo), ele não vai além em tentar discutir questões mais amplas das paralimpíadas. Prefere fazer um retrato das lutas dos atletas e de pessoas com deficiência, transformando todos em heróis. Sem um panorama histórico também do desporto paralímpico, é bacana ver uma menção rápida a Clodoaldo da Silva, o principal nome brasileiro das paralimpíadas de Atenas 2004, primeira transmitida ao vivo pela SporTV. Clodoaldo, um herói na época depois foi reclassificado e perdeu toda a competitivdade, algo que acontece sempre: difícil separar bem as categorias, há sempre uma vantagem de um lado.

O último personagem do filme é Daniel Dias, aquele que se tornou o principal nome paralímpico do Brasil, um nadador que soube assumir o papel de porta-voz: bem articulado e inspirador, é uma escolha perfeita para encerrar o filme.

O filme, portanto, cumpre bem o seu papel de ser uma porta de entrada à maioria dos brasileiros (com deficiência ou não) a respeito dos esportes paralímpicos. Muito bem filmado (tem até um bom plano de drone, olha só!), com uma grande equipe (percebe-se a presença de várias câmeras em cada cena) parece muito um bom especial para televisão. Emociona e informa na medida certa, ainda que se esquiva de discutir os muitos problemas que assolam o paradesporto ou ainda nunca põe na parede alguns dos seus personagens. O Brasil ficou em sétimo nas paralimpíadas de Londres e a expectativa é de um lugar no top5 este ano. Lançado poucas semanas antes das paralímpiadas do Rio, tem tudo para ter um bom resultado nas bilheterias e quem sabe, ser o primeiro de vários filmes sobre o tema!

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Rosto-máscara

 

Onibaba – O Sexo Diabólico (Onibaba, 1964, JAP) de Kaneto Shindô

onibaba

Um filme que já tinha ouvido falar bastante e demora para emplacar. É um tipo de enredo trabalhado aos poucos para entregar seu impacto todo ao fim. Shidô trabalha muito bem a miséria da vida nos campos japoneses durante as guerras feudais. É um filme angustiante, com planos opressores e depressivos e ao fim se mostra extremamente perturbador ao questionar a identidade de uma nação, com toda sua história incluida.

Perto do fim, um caráter meio sobrenatural passa a ganhar vida, e o filme ganha a partir daí muitas camadas. Uma luta em uma família que mal existe: a sogra e nora reunidas por um soldado que provavelmente nunca mais voltará e que ganham vidas novas justamente pelo retorno do companheiro daquele: ele (Kai Satô) seduz a nora (Jitsuko Yoshimura) e enfurece a sogra (Nobuko Otowa), que se vê sozinha e desesperada.

A máscara, tão importante no cinema, arte e cultura japonesa aqui ganha o papel de protagonista do filme: ao usar a máscara do demônio, a onibaba (algo como demônia velha), ela passa a exibir seu verdadeiro rosto, em uma sociedade que ainda estava processando o efeito das bombas atômicas e da derrota não só do país mas de toda uma ideia de nação.

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Anotações alguns dias depois da primeira visita ao filme-testamento do Manoel.

Visita ou Memórias e Confissões (1982/2015, POR) de Manoel de Oliveira

 

Estava assistindo ao filme meio cansado e pesquei em alguns minutos da primeira parte. Manoel ou olha para a câmera ou empresta sua voz em uma narração em off. Já no alto dos setenta e poucos anos, parecendo não ter um dia a mais que cinquenta, ele apresenta sua casa, seu jardim, sua família. Fala de agricultura e arquitetura. Desculpem, mas é um pouco cansativo.

Visita ou memorias e confissões

Só que justamente quando pareço disposto a dormir e algumas imagens de sonho me veem a cabeça, a voz doce de Manoel é um alento. Uma paixão contamina sua fala, um amor pela vida, pela terra, pelos seres humanos. Isso tudo prepara o terreno, como um bom agricultor (e arquiteto!), para que já tenhamos intimidade suficiente com o homem.

 

Daí ele se sente livre para falar sobre sua vida, suas ideias sobre juventude, sobre virgindade, sobre a beleza no mundo. Para ele, a nossa história é saudade. Projetamos um futuro a partir do passado. Sua trajetória na terra (os primeiros 70 anos pelo menos) não foi marcado exatamente por dificuldades, mas teve suas barreiras e seus percursos acidentados. Ainda assim, uma certa felicidade por estar vivo, por estar trabalhando, por ser português, por ter uma capacidade de reflexão do mundo é contagiante.

 

Boa parte dos últimos minutos é dedicada a suas histórias e lutas durante o salazarismo. Ao lembrar de seu tempo detido, aponta clinicamente: “A quão baixo desce o homem”. O cinema português da época também estava quase destruído. Ainda assim, o filme é feito já alguns anos após o 25 de abril e Manoel segue espantado como a história pode dar tantas voltas. Assim como nós nos espantamos por ele ainda ter mais 35 anos de carreira e sua trajetória imortal ter chegado ao fim. Estávamos acostumados aos seus filmes anuais e pelo menos é um alento saber que ele tinha “preparado” esse filme.

Visita-ou-Memorias-e-confissoes-2

Ainda assim, fico um tanto chocado por ver o filme em digital. É um filme que respira 35mm em movimentos de câmera maravilhosos e uma cor linda, antiga, que respira memórias e nostalgia. O plano de Maria Isabel no jardim falando da vida como esposa de um realizador não é simplesmente notável, mas é para ficar na memória, como Maureen O’Hara num filme de John Ford. Até num filme familiar, Manoel se supera.

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Go East

There where the air is free

we’ll be what we want to be

Now if we make a stand

we’ll find our promised land

 

As Montanhas se Separam (Shan he gu ren, 2015, CHN/FRA/JAP) de Jia Zhangke

 

O filme se inicia com um grupo de pessoas dançando de maneira meio estranha “Go West”, versão Pet Shop Boys. Parece uma “festa de firma”, como comentou uma amiga minha na sessão. É 1999, e em uma cidade chinesa ainda meio provinciana Tao (Zhao Tao) vende aparelhos de som combos com 3 CDs + 2 fitas cassetes + rádio. Dividida entre o colega de trabalho Liangzi (Liang Jing Dong) e o novo milionário Jinsheng (Zhang Yi), acaba escolhendo este último, com quem se casa.

O filme parece apelar à semiótica ao tentar contar uma história a partir de três fases na vida de Tao: além desse conto idílico de juventude em 1999, temos sua vida de divorciada e mãe amargurada aos 40 anos em 2014 e finalmente em 2025 o ciclo se completa, com o filho de Tao e Jinsheng, Zhang Daole, que, vivendo na Austrália, passa a adotar o nome inglês de Dollar (Dong Zijian) e sem nenhum afeto na família se apaixona por sua professora de chinês, uma língua que já lhe é estrangeira.

mountains may depart

Segue na obra de Jia ZhangKe o retrato da transição brutal de uma China comunitária e que ainda fazia sentido como nação para uma mera terra onde seus nacionais buscam o caminho do dinheiro, da felicidade e da liberdade, para perceberem talvez tarde demais que ela tem seu preço. A mãe que despreza o filho pois ele a lembra de uma escolha errada, e o filho que sofre pela relação conflituosa.

Ao fim, depois de um bom tempo numa liberdade iluminada, chapada e opressora voltamos a neve, ao cachorro que parece sobreviver a todos esses anos. A música que em uma época servia de pretexto social e festivo, hoje é um momento de nostalgia, de liberdade interior: através da música, acessamos nossas memórias, nossas escolhas não feitas, mas que nos acompanham interiormente ainda que não necessariamente represente coisas concretas.

É um belo filme sobre a lamentação, sobre a vida que passa e nos escapa. A cena final e toda a trajetória de personagens que vem e vão lembra um pouco Tsai Ming-Liang em sua melhor forma. Mas cada “episódio” parece ser pequenos filmes não muito bem concatenados e a cena final é seu melhor exemplo: ainda que linda e um perfeito plano final, parece ainda um modo meio simplista de encerrar as questões apresentadas. Fica, de minha parte, um lamento que o grande filme que parece existir em Jia (e talvez encontre ressonância em muitos espectadores), não foi transmitido.

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Mad, Mad, Mad Men

Vinyl HBO

Dois episódios de Vinyl assistidos e fica evidente a inspiração de Mad Men nesta nova série da HBO produzida por Martin Scorsese e Mick Jagger. É possível que Mad Men tenha criado uma estrutura para contar narrativa histórica tão perfeita que se demore muito para escapar dela?

Os pontos em comum entre as duas séries são vários: o uso ostensivo de músicas na série da HBO seja de forma diegética – as personagens em shows ou ouvindo discos – ou para marcar o ritmo lembram os filmes de Martin Scorsese do que Mad Men (Caminhos Perigosos especialmente). Ainda assim, a série criada por Matthew Weiner começou a usar cada vez mais as músicas para fazer comentários finais a respeito dos episódios especialmente a medida que a série adentrava nos anos 1960. O fato de Mad Men ter situado seu último capítulo 2 anos e meio antes do início de Vinyl deixa ainda mais uma sensação de continuação.

As personagens principais são idênticas: Don Draper/Richie Finestra, um gênio criativo e descontrolado, comandando com seu talento uma empresa sem se preocupar em seguir regras. Se Draper se alimentava de Martinis e nos piores momentos cambaleava e dormia pelo escritório, Richie se entope de cocaína e não para. No segundo episódio, dentro de um cinema, começa a interagir com um filme de Bruce Lee (e obviamente me lembrei de Don e Lane assistindo a um filme japonês) e volta ao seu escritório dando golpes de kung fu em todo mundo, enquanto interrompe a negociação da venda da sua empresa para um grupo alemão.

É alguém que pensa no “eu” e nunca no “nós”. E nesse bolo entra a esposa dele, Devon, uma espécie de Betty dos anos 1970. Ela fazia parte da Factory e abandonou uma vida de atriz/modelo em Manhattan para morar no subúrbio e cuidar das crianças. Já no segundo episódio, ela esquece as crianças em uma lanchonete, depois de um longo flashback em que ela se lembra de seu passado quase glorioso e um pouco excitante nos anos 1960.

Enquanto os flashbacks de Mad Men eram pontuais e serviam, na primeira temporada, para explicar a identidade de Don, nos dois primeiros episódios os flashbacks são usados constantemente para explicar o passado dos protagonistas e apontar pontos de virada. É uma estratégia que de tão usada se torna um tanto batida, assim como a narração invasiva no início do piloto.

American Century, a empresa comandada por Richie, é uma produtora musical que lembra bastante a Sterling Cooper original, mas com 13 anos de diferença e uma mentalidade muito mais jovem. Aqui as drogas comandam e a moça do café, Jamie, também é responsável pelo abastecimento ilícito. Ela, assim como Peggy, quer subir na empresa e de secretária começa a ter funções mais criativas.

Os outros companheiros de empresa de Richie parecem funcionar da mesma forma básica que os de Don faziam: O Roger, aquele companheiro mais próximo e responsável pelas falas engraçadas é interpretado por Ray Romano. Os outros vão se dividindo entre aquele que fala besteira e parece mais idiota (Harry), alguém que lembre um antagonista (Pete), mas com aqueles looks anos 1970 que Ted, Stan e companhia imortalizaram. O problema é que ainda não conhecemos ninguém direito em Vinyl, mesmo com três horas de série, e enquanto esses estereótipos são perceptíveis, as personagens não existem. Com a ressalva que ainda é o segundo episódio, é tanta música, é tanta confusão, é uma fotografia tão escura (ou será que a versão que eu vi é muito ruim?) que a série não sabe fazer o que Mad Men melhor fazia: respirar.

O primeiro episódio de Vinyl foi dirigido com a maestria habitual de Scorsese, e a montagem consegue fazer bom uso de todos os flashbacks, criando uma estrutura narrativa interessante. Além disso, algumas cenas são incríveis, como o – verídico – desabamento de um edifício ao final. É a representação de uma cidade – e uma personagem – que por conta de seu barulho e de sua incrível força consegue desabar suas próprias fundações, mas ainda assim consegue sair viva disso tudo, assim como Richie, no melhor estilo zumbi drogado. Bobby Can

Mas o segundo episódio é preocupante por cair numa vala comum e se perde um pouco nas muitas drogas e rock ‘n’ roll – e pouco sexo. Se Mad Men conseguia instaurar uma aura dos anos 1960 em atitudes e estilo, mas nunca parecendo um pastiche, Vinyl parece caminhar para aquele problema típico de séries de época. Parece mais uma visão do que hoje pensamos e celebramos como os anos 1970 do que os anos 1970 de fato, algo paradoxal mas compreensível visto a participação de Scorsese e Jagger na produção.

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99 Homes

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