Os primeiros filmes – e o primeiro filme perdido

Os primeiros momentos do meu primeiro reencontro com Veneza foram bons para apagar um pouco da ideia romântica que tinha da cidade. Os funcionários do aeroporto são os mais mal preparados e rudes de todos pelos quais já passei (apesar de uma ou outra exceção), tudo, TUDO é muito caro e especialmente o transporte público é caríssimo. O Vaporetto é 6,50 euros, absurdo! E como o festival é numa ilha, a de Lido, é imprescindível o uso dele. Mas como me falaram que teria um transporte gratuito (o que foi confirmado hoje), comprei só pra 3 dias, pra me prevenir.

No final do dia, voltando para o albergue, já estava encantado com a cidade. O clima da cidade é incrível, as praias do Lido são maravilhosas (qual vai ser o dia que eu vou deixar o Festival pra lá e curtir a praia? rs), e andar pela cidade é uma experiência inigualável. A noite é boa, cheio de barzinhos e restaurantes, mas duas coisas péssimas: é tudo muito caro mesmo e o que não é fecha cedo. E olha que hoje foi o dia que voltei mais cedo provavelmente.

Enfim, indo para o mais importante, o cinema. Antes de tudo, fiz confusão com a programação e acho que perdi mesmo o “The Ides of March”. Ele passou hoje de manhã para a imprensa e não será amanhã, que tem as 9h a primeira sessão do novo Polanski, “Carnage” (E eu aqui, 3 da manhã, será que consigo acordar as 7h40 pra ir? – porque demora meia hora de vapporeto pra chegar e deve dar uma fila enrome…). Mas tudo bem, o Clooney estréia em outubro em Paris e no Brasil, com o título de “Tudo Pelo Poder”

Bom, quanto aos filmes vistos… Depois do meu perrengue em pegar a credencial, consegui ver dois, o primeiro da Competição e o segundo na mostra “Giornate Degli Autori”:

“Saideke Balai” (“Warriors of the Rainbow: Seediq Bale”, Taiwan) de Te-Sheng Wei. 3/10

Um filme que causou polêmica por tratar da conquista japonesa em Taiwan no final do século XIX, acertada com o governo chinês, mas que encontrou muita resistência por parte do povo taiwanês. Com ligações óbvias e mais claras impossíveis com a situação política atual, o diretor acaba perdendo a mão, exagerando o comportamento vilanesco dos japoneses, causando uns momentos engraçados – seria intencional? Olha que em algumas partes, acho que sim… o público certamente se divertiu bastante.

Pior mesmo é quando apela pro fantástico, pois os tais guerreiros do arco-íris não tem nada a ver com o movimento gay e sim com os habitantes de uma tribo que se encontram do outro lado do arco-íris após a morte. Esse mito acaba criando cenas realmente hilárias, como a final com vários dos habitantes andando no arco-iris e uns números musicais bregas, especialmente quando o protagonista recebe a visita do pai, que já se encontra “over the rainbow”.

Quando o filme se foca na ação pura e simples até que funciona, mas ele se alonga tanto e tanto e tanto que os 150 minutos são insuportáveis e o clima é de super produção brega ao estilo Zhang Yimou atual. A produção, aliás é assinada pelo John Woo

 

“Habib Rasak Kharban” (“Habibi”, Holanda/Palestina/EUA/Emirados Árabes Unidos) de Susan Youssef 5,5/10

Os atores são ruins. MUITO. Mas se você esquecer um pouco isso, consegue acompanhar um roteiro que por mais que entra no água-com-açucar fica certinho até o final. A história é de dois palestinos apaixonados, ambos universitários, ela em Gaza (Israel), e que precisam superar os pais da moça que querem arranjar um marido rico. A história é baseada num poeta saudita do século VII, transposta para os conflitos atuais, explicitamente de 2001.

Algumas partes não funcionam, como a adesão rápida demais do irmão fã de Rocky ao Hamas e os atores estragam alguns diálogos importantes. Mas a linha não é perdida jamais, e o final é um tanto impressionante, apesar de que deveria ser melhor desenvolvido. Mas vale como o primeiro longa de uma moça árabe (não tenho certeza se palestina…) que é radicada nos EUA.

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